SETEMBRO AMARELO

Cuidado com a saúde mental amplia atenção durante o tratamento do câncer

publicidade

O diagnóstico de câncer provoca mudanças que vão além dos aspectos físicos da doença. A descoberta pode desencadear sentimentos de tristeza, raiva, frustração, medo e negação, em um processo de reorganização da vida que pode ser comparado a uma experiência de luto. Para a psicóloga Andressa Bruceze, da Oncomed-MT, essas reações não significam, necessariamente, o desenvolvimento de um transtorno mental.

Ela explica que esses sentimentos podem ser respostas que precisam ser compreendidas e acompanhadas durante uma fase marcada por incertezas e adaptações dos pacientes de câncer. “Nesse contexto, o cuidado com a saúde mental passa a integrar o tratamento oncológico de forma mais ampla”, enfatiza.

Segundo a especialista, a intervenção psicológica deve ocorrer de maneira integrada, envolvendo paciente, família e equipe multiprofissional. O objetivo é oferecer um espaço seguro de escuta, no qual a pessoa possa expressar sentimentos e dificuldades sem julgamento. A necessidade de demonstrar força durante todo o tratamento pode levar o paciente a esconder sofrimento e evitar pedir ajuda. “Por isso, permitir e incentivar o paciente para que ele fale sobre seus sentimentos e manifeste seus medos também é uma forma de cuidado”.

A participação de familiares e amigos é importante, sobretudo para evitar o isolamento. Essa rede de apoio pode ajudar a manter atividades e adaptar a rotina às novas condições. A psicóloga indica atividade física e alimentação adequada. “Trabalho dentro dos limites individuais e convivência social podem continuar fazendo parte do dia a dia. A ideia não é retomar a rotina anterior ao diagnóstico, mas construir uma nova”.

Leia Também:  SES alerta para monitoramento de casos de Mpox em MT após avanço de variante em Rondônia

Sinais que merecem atenção – Andressa destaca que embora pacientes oncológicos possam apresentar maior vulnerabilidade emocional, não significa que todos desenvolverão depressão ou pensamentos suicidas.  A psicóloga alerta ainda que a atenção deve estar voltada às mudanças persistentes de comportamento e aos sinais de sofrimento intenso. “Isolamento acentuado, apatia, falta de interesse pelas atividades habituais, alterações significativas na forma de se relacionar e falas recorrentes sobre morte ou sobre não querer mais viver exigem atenção e é neste momento que familiares e profissionais devem atuar em conjunto para acolher o paciente”, ressalta.

O cuidado de quem cuida – Quando o cuidado é diário, ele também precisa alcançar quem está por trás dele. Na Oncomed-MT, a atenção à saúde mental não se restringe ao paciente: se estende aos profissionais que acompanham de perto a jornada do tratamento oncológico. A compreensão é de que oferecer uma assistência humanizada passa, necessariamente, por cuidar também de quem está na linha de frente desse processo.

Segundo o gerente executivo da Oncomed-MT, Nicolas Navarros, esse olhar começa pela construção de um ambiente em que os colaboradores possam se sentir seguros, ouvidos e valorizados. A instituição mantém avaliações de clima organizacional e 360°, que ajudam a compreender como o profissional percebe sua atuação e o ambiente em que está inserido. Também existem canais de denúncia para situações que possam gerar desconforto ou exposição no ambiente de trabalho.

Leia Também:  Gripe: campanha de vacinação acaba nesta quarta (31)

Esse cuidado se manifesta ainda em ações de integração e participação social, como as campanhas Outubro Rosa e Novembro Azul, além de iniciativas desenvolvidas em parceria com o setor jurídico para orientar os colaboradores sobre situações de assédio e outras circunstâncias que possam comprometer seu bem-estar.

“Cuidar de um paciente oncológico também significa olhar para quem está diariamente envolvido nesse cuidado. Na Oncomed-MT, entendemos que o bem-estar da nossa equipe é parte fundamental de uma assistência humanizada e de qualidade. Quem cuida também precisa ser cuidado, acolhido e ter espaço para falar sobre suas próprias necessidades. Esse olhar para o outro começa pelo olhar para dentro da nossa própria equipe”, destaca.

Setembro Amarelo – O Setembro Amarelo contribui para ampliar essa discussão ao colocar a saúde mental e a prevenção do suicídio em evidência. No contexto oncológico, a campanha reforça a importância de reconhecer que o paciente não precisa enfrentar sozinho as repercussões emocionais da doença. A escuta qualificada, o acolhimento, a participação da família e o acompanhamento de uma equipe preparada ajudam a identificar necessidades e oferecer suporte ao longo do tratamento.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade