SAMU E BOMBEIROS

Entenda as diferenças das ambulâncias que atendem o SAMU e o Corpo de Bombeiros

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A reorganização do atendimento pré-hospitalar em Mato Grosso trouxe à tona diferenças técnicas e operacionais entre o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros. Embora ambos atuem em situações de emergência, especialistas e representantes da saúde reforçam que os serviços possuem funções distintas e devem operar de forma complementar — e não substitutiva.

O presidente do Sindicato dos Servidores da Saúde de Mato Grosso (Sisma), Carlos Mesquita, explica que o Samu é o principal responsável pelo atendimento médico de urgência dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). “Quem determina as políticas de saúde no país é o Ministério da Saúde. O Samu é o serviço principal no atendimento de urgência e emergência. Os bombeiros são um serviço que vem para complementar”, afirmou.

Segundo ele, as diferenças começam pelas ambulâncias. O Samu opera com dois tipos principais: suporte básico, com equipe formada por técnico ou enfermeiro e condutor socorrista; e suporte avançado, que funciona como uma UTI móvel, com médico, enfermeiro e condutor. “A ambulância de suporte avançado é uma UTI. Nela você tem médico, enfermeiro e condutor. Já na básica, você tem técnico ou enfermeiro com o condutor”, detalhou.

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No caso do Corpo de Bombeiros, a atuação ocorre, em grande parte, por meio de viaturas de intervenção rápida, que possuem estrutura mais simples. “Eles têm ambulâncias, mas não têm as de suporte avançado. O que eles têm são veículos de intervenção rápida, com médico e enfermeiro, que chegam primeiro e depois precisam do suporte da ambulância para complementar o atendimento”, explicou Mesquita.

Outro ponto sensível envolve o uso de medicamentos e insumos. De acordo com o presidente do Sisma, há indícios de que materiais destinados ao Samu estariam sendo utilizados em atendimentos realizados por outras instituições. “O dinheiro do SUS só pode ser gasto com profissionais do SUS. Os insumos e medicamentos do Samu são comprados com recursos federais e devem ser utilizados dentro do próprio serviço”, afirmou.

Mesquita também questiona a lógica de custos adotada no modelo atual. “As ambulâncias do Samu são doadas pelo Ministério da Saúde. Já as utilizadas por outros serviços, muitas vezes, são alugadas. Então, essa ideia de economia não se sustenta”, pontuou.

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Para o sindicalista, o modelo ideal é de integração, mas com funções bem definidas. Ele utiliza uma analogia para ilustrar: “Se houver um incêndio, o serviço principal é dos Bombeiros. Se alguém passar mal, o Samu é quem deve liderar o atendimento. Um complementa o outro, mas cada um na sua área”.

O desgaste gerado pela crise do SAMU no estado reforça a necessidade de diálogo entre o governo estadual e os profissionais da saúde om foco na adequação do modelo de atendimento às diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). Para Carlos Mesquita, é necessário garantir a correta aplicação dessas normas. “O nosso objetivo é atender bem a população. Para isso, o Samu precisa ser fortalecido, e não substituído”, afirmou.

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