A Arquidiocese de Cuiabá repudiou a vandalização da imagem de Nossa Senhora Aparecida instalada junto à Cruz do Chilão, no bairro Santa Helena, em Cuiabá. A imagem foi encontrada quebrada na noite de sexta-feira (25.09), em um dos pontos ligados à memória religiosa e cultural da Capital.
Em nota, a Arquidiocese classificou o episódio como vandalismo e cobrou das autoridades a identificação e responsabilização dos envolvidos.
“Agradecemos todas as mensagens recebidas em solidariedade e cobramos, das autoridades competentes, que os responsáveis sejam identificados e que a justiça seja feita”, declarou a Arquidiocese.
A Cruz do Chilão fica entre as ruas Luiz Carlos Pinheiro e Tenente Eulálio Guerra e é considerada um marco da religiosidade popular cuiabana. O local reúne elementos da tradição católica e da cultura de povos de matriz africana e possui ligação com a história da Capital desde o século XIX.
Até o momento, não há informação sobre a autoria do dano nem sobre as circunstâncias em que a imagem foi quebrada.
O episódio ocorre justamente em um momento em que Nossa Senhora Aparecida passou a ocupar espaço no debate eleitoral nacional. Não há, porém, qualquer informação que estabeleça relação entre a vandalização registrada em Cuiabá e a controvérsia política.
A discussão ganhou repercussão após voltar a circular nas redes sociais um projeto apresentado em 2007 pelo ex-deputado federal e atual candidato a deputado federal por Mato Grosso, Victório Galli (PP).
Na época, filiado ao PMDB, Galli apresentou o Projeto de Lei 2.623/2007, que pretendia alterar a Lei nº 6.802/1980 e substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
O projeto, contudo, está arquivado há 18 anos. A Comissão de Educação e Cultura aprovou por unanimidade parecer pela rejeição em julho de 2008, e a proposta foi arquivada em 22 de agosto daquele ano.
A controvérsia voltou ao debate durante a campanha presidencial de 2026 e passou a envolver o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
GloboNews corrigiu informação
A repercussão aumentou após comentário da jornalista Maria Cristina Fernandes, no programa Em Pauta, da GloboNews, sobre uma suposta mobilização de grupos evangélicos relacionada à retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.
A emissora posteriormente corrigiu a informação e esclareceu que a proposta mencionada era o projeto apresentado em 2007 e arquivado em 2008.
Nas redes sociais, publicações passaram a associar a discussão a Flávio Bolsonaro (PL). O candidato à Presidência da República negou que pretenda retirar da santa o título de Padroeira do Brasil.
Na sexta-feira (25), o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a retirada de publicações que associavam Flávio Bolsonaro ou integrantes de sua família a uma suposta intenção de retirar o título da santa. Na análise preliminar, Mendonça considerou que a informação não encontrava suporte nos fatos.
A decisão teve novo desdobramento no domingo (27). O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), cassou a ordem de Mendonça no caso envolvendo uma publicação do humorista Antonio Tabet e determinou o restabelecimento de outros conteúdos que tivessem sido excluídos pelo mesmo fundamento. Dino considerou que, naquele caso, não havia grau de certeza de ilicitude suficiente para justificar a restrição à liberdade de expressão.
























