oão Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, prepara uma delação premiada, segundo fontes ligadas às investigações, e abre uma nova frente de desgaste político com potencial de ultrapassar o mercado financeiro e atingir diretamente o ambiente eleitoral de 2026.
A negociação com o Ministério Público ocorre no contexto da Operação Carbono Oculto, que apura a infiltração do crime organizado na economia formal, e também dialoga com o avanço das investigações envolvendo o Banco Master — um dos eixos mais sensíveis do caso.
Nos bastidores, a expectativa é de que a eventual colaboração não se limite a operações financeiras. A avaliação é de que Mansur detém informações capazes de conectar fundos de investimento, estruturas de crédito e decisões administrativas que envolvem agentes públicos, o que pode obrigar políticos a se explicarem em pleno período pré-eleitoral.
O caso ganhou ainda mais peso após chegar ao Senado. Em depoimento à CPI do Crime Organizado, o ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques, apontou a existência de uma rede que interliga o escândalo do Banco Master, operações de crédito consignado no Estado e fundos estruturados com participação da Reag.
Taques afirmou que a gestora teria criado o fundo ligado à MT-PAR para viabilizar investimentos na BR-163, com aporte milionário de recursos públicos. Ele também levantou suspeitas sobre a expansão de contratos de consignados e a atuação de empresas vinculadas ao sistema financeiro investigado. As declarações foram feitas no âmbito da CPI e ainda dependem de apuração.
A dimensão do caso vai além das suspeitas. Autoridades do sistema financeiro já adotaram medidas duras: a antiga Reag Trust teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central, assim como o próprio Banco Master, em decisões que indicam irregularidades graves no funcionamento das instituições.
Com a delação em negociação, o cenário tende a mudar de patamar. Se Mansur apresentar provas e detalhar a engrenagem por trás das operações, o impacto pode atingir não apenas o setor financeiro, mas também estruturas políticas que, até aqui, orbitavam o caso sem exposição direta.
Nos bastidores, o temor é claro: a delação pode atravessar a campanha de 2026, arrastando nomes, desmontando narrativas e transformando o debate eleitoral em uma disputa marcada por explicações — não apenas por propostas.
Em Mato Grosso, onde o tema já entrou na pauta política após as declarações de Pedro Taques, o efeito pode ser ainda mais imediato. Caso as informações avancem na mesma linha apontada na CPI, o eleitor poderá assistir a uma eleição em que o foco não será apenas o futuro, mas também o passado recente de relações entre dinheiro, poder e decisões públicas.


























