O deputado estadual Valdir Barranco (PT) afirmou que vê com ceticismo a possibilidade de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso para investigar o escândalo envolvendo os empréstimos consignados. Para ele, a base do governo Mauro Mendes (União Brasil) atua para impedir a instalação de qualquer investigação no parlamento estadual.
Em entrevista, ao Cuiabá Notícias, Barranco destacou que o avanço das investigações depende agora de atuação do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Ele acredita que, politicamente, não há mais viabilidade para a abertura de uma nova CPI.
“Pela experiência que eu tenho na Assembleia, nunca vai aprovar uma CPI lá. Nunca vai, porque a base do governador Mauro Mendes (UB), não vai deixar. Não consegue ter 8 assinaturas lá de jeito nenhum”, comenta o parlamentar.
“Entre os piores dos piores cenários, que seria não ter nada, ter essa mesa lá dentro do Tribunal é melhor do que não ter nada. Eu acredito que pode ser feio um trabalho em conjunto, a Assembleia pode ajudar. O Tribunal de Contas, se quiser fazer um trabalho sério, tem muito mais condições, porque é o papel deles. Tem técnicos lá especializados nisso, que podem produzir um relatório robusto. Porque crime tem, está evidente que tem”, completou.
Ao ser questionado sobre a responsabilidade do governo estadual diante do caso, o deputado citou uma CPI anterior, ocorrida ainda durante a presidência do hoje conselheiro do TCE, Guilherme Maluf. Segundo ele, já havia alertas e recomendações para evitar o tipo de prática que agora veio à tona.
“A CPI que nós tivemos ainda no período do Guilherme Maluf deixou alguns encaminhamentos. E um deles era que não tivesse esses consignados deliberadamente, assim como ocorreu. Não teve controle do governo. No mínimo, permitiu. Então, há conivência. Eu acho que não escapa”, afirmou.
Além da concessão de empréstimos de forma descontrolada, o parlamentar também apontou outro problema grave que envolve o Governo do Estado, o repasse de recursos públicos à empresa de telefonia Oi, que também estaria sendo investigado.
“Tem problemas seríssimos colocados aí, além dos mais evidentes, que é a questão dos consignados e o repasse dos 308 milhões para a Oi, né?”, completa o parlamentar.
A ausência de apoio interno no parlamento, segundo Barranco, mostra que as investigações só vão avançar com pressão institucional de fora da Casa, ou seja, com atuação de instâncias federais.
“Até porque passa a ter acompanhamento da Polícia Federal, MPF. Vai sobrar para o governo. Por mais que a Assembleia se omita de fazer o seu trabalho, que deveria fazê-lo, ele [o governo] vai ter problema”, reforçou.


























