Com a aproximação das eleições, analistas pedem cautela na leitura de pesquisas para deputado estadual e federal. Alta taxa de indecisos, distorções estatísticas e o próprio sistema proporcional tornam esses levantamentos pouco confiáveis para prever resultados.
O cenário é pulverizado: em estados como Mato Grosso, mais de 300 pré-candidatos disputam poucas vagas. Amostras de até 1.500 entrevistas diluem votos em percentuais irrelevantes, tornando rankings ilusórios. Mais de 70% dos eleitores ainda não sabem em quem votar, reforçando a instabilidade dos números.
“O eleitor acaba acreditando que um ranking reflete a realidade, mas na prática ele pode estar olhando para um retrato distorcido”, afirma Ricardo Menezes, cientista político e professor de metodologia eleitoral.
Outro ponto ignorado é que o modelo proporcional elege pelo desempenho do partido, não apenas pelo voto individual, o que pode deixar de fora candidatos bem votados e eleger outros com menos votos. Pesquisas também não captam votos concentrados em bases regionais, religiosas, sindicais ou comunitárias, que muitas vezes definem o resultado nas urnas.
Para especialistas, esses levantamentos servem mais para medir lembrança de nomes conhecidos ou gerar manchetes estratégicas do que para antecipar o desempenho eleitoral real.


























