CRISE NO SAMU

Vistoria do Ministério da Saúde em MT ocorre após repercussão negativa de mudanças no serviço

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A visita de uma comissão ligada à diretoria nacional do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), do Ministério da Saúde, ao Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp-MT), em Cuiabá, nesta quinta-feira (23), ocorreu após a repercussão negativa, em Brasília, das decisões do Governo de Mato Grosso sobre mudanças no modelo do serviço. Informações que circularam na imprensa mato-grossense apontam que as medidas adotadas pelo Estado, incluindo demissões e reestruturação do atendimento, acenderam alerta sobre possível risco à continuidade do sistema.

O Samu, embora operacionalizado pelo Estado, integra a rede do Sistema Único de Saúde (SUS) e conta com financiamento federal. Diante disso, fontes ouvidas indicam que a tentativa de reformulação foi interpretada, em nível nacional, como uma possível fragilização do serviço, o que motivou o envio imediato de técnicos para averiguar a situação das bases e equipes em Mato Grosso.

A vistoria teve início por volta das 14h30 e seguiu até aproximadamente 18h, com inspeção detalhada da estrutura física, análise das condições dos veículos, entrevistas com servidores e levantamento do impacto das recentes demissões. Também foram avaliadas as bases operacionais e a capacidade de resposta do atendimento pré-hospitalar, considerado essencial em casos de urgência e emergência.

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A comissão é composta por quatro integrantes, sendo três enviados de Brasília — entre eles o coordenador-geral de Urgência do Ministério da Saúde, Felipe Reque, a enfermeira da Coordenação-Geral de Urgência (CGURG), Nicole Braz, e o coordenador-geral do Sistema Nacional de Auditoria, Justiniano Neto — além de um representante local que acompanha os trabalhos. O objetivo é reunir dados técnicos para subsidiar um relatório que será encaminhado ao Ministério da Saúde.

A vistoria também ocorre após denúncias apresentadas pelo Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde de Mato Grosso (Sisma-MT) e pela Federação dos Sindicatos de Servidores Públicos de Mato Grosso (Fessp-MT), que acompanham o caso. Segundo as entidades, 56 profissionais foram demitidos — cerca de 30% do quadro — incluindo 10 condutores, 22 enfermeiros e 24 técnicos de enfermagem, o que teria impactado diretamente o funcionamento do serviço.

O tema ganhou força nas últimas semanas após o Governo do Estado anunciar a integração do Samu ao Corpo de Bombeiros, como parte de uma reorganização administrativa. A gestão estadual afirma que o novo modelo busca ampliar a cobertura e reduzir o tempo de resposta, destacando que as equipes passaram de 12 para 25 na região. Já profissionais do serviço relatam insegurança e apontam risco de perda de qualidade no atendimento.

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A crise também foi debatida em audiência pública na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), além de ter motivado protestos de profissionais desligados no fim de março, na região central de Cuiabá. Paralelamente, o superintendente do Ministério da Saúde em Mato Grosso, Helenilson Benedito Pereira Peixoto, cumpre agenda no Estado para a assinatura da ordem de serviço que autoriza a construção de 11 unidades de saúde, sendo um CAPS e 10 UBS, com investimento total de R$ 25,2 milhões via Novo PAC Saúde.

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) informou que acompanha a vistoria e que está prestando todas as informações necessárias “de forma a dar transparência ao processo”.

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