A Polícia Civil investiga se a morte de Olga Beatriz Santos da Silva, de 12 anos, assassinada pelo pai, C.S., 42 anos, em Várzea Grande, pode estar inserida em um contexto mais amplo de violência familiar. Entre as hipóteses analisadas pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) está a possibilidade de violência vicária, quando filhos são utilizados para atingir emocionalmente outra pessoa da família, geralmente a mãe.
A linha de investigação foi revelada pela delegada Jéssica Assis, do Núcleo de Feminicídios da DHPP, durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (08). Segundo ela, a apuração não ficará restrita apenas à dinâmica do crime, mas buscará compreender todo o histórico familiar envolvendo a adolescente, a mãe e o suspeito.
“Com base nessa autuação em flagrante desse suspeito, o Núcleo de Feminicídios da DHPP prosseguirá com a investigação de seguimento, e a intenção é principalmente entender diversos aspectos do convívio familiar deste homem com relação a esta criança”, afirmou.
De acordo com a delegada, a investigação irá reavaliar uma medida protetiva anteriormente concedida à mãe da adolescente para verificar se existiam elementos que pudessem indicar riscos também à filha.
Segundo Jéssica, muitas vezes a violência de gênero não se manifesta apenas contra a mulher que mantém ou manteve relacionamento com o agressor.
“A gente sempre olha o risco de feminicídio analisando aquela ótica clássica da violência que vai atingir a parceira ou a ex-parceira. Mas o feminicídio, principalmente porque envolve violência de gênero, muitas vezes atinge filhos, filhas, irmãos e irmãs também”, explicou.
“Tem que ser analisado se houve alguma atuação ou interferência do Conselho Tutelar, tanto do bairro em que a mãe residia quanto do bairro em que o pai residia, e também da comunidade escolar, porque há situações de notificação compulsória quando esse tipo de violência acontece”, disse.
Durante a coletiva, Jéssica Assis ressaltou que situações de violência contra crianças e adolescentes costumam permanecer ocultas dentro do ambiente familiar, dificultando a identificação de sinais por parentes, amigos e até instituições.
A delegada afirmou ainda que, apesar de não existirem elementos concretos apontando para abuso sexual até o momento, a hipótese não está descartada e será analisada durante o aprofundamento das investigações.
Entenda o caso
Olga Beatriz foi encontrada morta na residência do pai, no bairro Serra Dourada, na noite de domingo (07). A principal hipótese investigada é de que as agressões tenham começado após C.S. descobrir conversas da filha com um menino por meio de uma rede social. O suspeito foi preso em flagrante e autuado por feminicídio.



























