O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde de Mato Grosso (SISMA/MT), Carlos Mesquita, afirmou nesta quarta-feira (22.04) que a integração entre o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros (CBM-MT), defendida pelo Governo do Estado, na prática, tem resultado em “desmonte” do serviço.
Segundo Mesquita, embora reconheça que os municípios também tenham responsabilidade na manutenção do Samu, o Estado assumiu a gestão e não tem cumprido com a estrutura necessária. Ele citou como exemplo o fato de cinco unidades estarem fora de operação.
“Quando o secretário fala em reduzir o tempo de resposta em dez minutos, mas existem cinco unidades paradas, há uma incoerência”, afirmou.
A fala ocorre em meio à polêmica envolvendo o encerramento de contratos de cerca de 56 profissionais do Samu no fim de março. O Governo do Estado nega demissões e sustenta que houve apenas o término dos vínculos contratuais. Já o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) indicou que a medida também tem como foco a redução de custos.
Apesar disso, o secretário de Estado de Saúde, Juliano Melo, garantiu nesta quarta-feira (22) que o Samu não será fechado no Estado.
Mesquita contestou ainda a versão apresentada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) sobre a situação dos profissionais. Segundo ele, é “inverdade” a afirmação de que parte dos servidores teria se recusado a trabalhar.
De acordo com o sindicalista, após a renovação dos contratos, os trabalhadores foram orientados pelo setor de recursos humanos da SES a se apresentarem no Hospital Adauto Botelho, mas, ao chegarem ao local, não havia definição sobre a lotação.
“Foi dito que haveria uma integração, mas até agora não houve direcionamento claro”, pontuou.
O presidente do sindicato reforçou que a categoria não é contrária à integração entre Samu e Corpo de Bombeiros, mas criticou a forma como a medida vem sendo implementada.
“Não somos contra a integração. Mas, quando você tem 12 unidades e cinco estão sem funcionar, isso não é integração, é desmonte”, declarou.
Mesquita também apontou desequilíbrio na distribuição das unidades de atendimento e falta de planejamento na reorganização da rede. Segundo ele, enquanto o Samu perdeu capacidade operacional, o Corpo de Bombeiros ampliou sua estrutura.
“No início, o Samu tinha 12 unidades e os bombeiros, seis. Hoje, cinco das nossas estão paradas, enquanto eles passaram a ter 13 unidades”, afirmou.
Ele ainda citou casos de sobreposição de ambulâncias em determinadas regiões, o que, na avaliação do sindicato, evidencia falhas no planejamento estratégico.
“Há locais com unidades muito próximas. Na região da Prainha, por exemplo, temos várias bases em um raio pequeno, inclusive com presença do Corpo de Bombeiros. Qual foi o critério? Nenhum”, criticou.
Sobre o argumento de economia, Mesquita rebateu e afirmou que não há redução real de custos na mudança. “Os profissionais contratados pelos bombeiros recebem salários maiores do que os do Samu. Então, não existe economia”, declarou.
Como solução, o presidente do SISMA/MT defendeu a recomposição do quadro de servidores. “A estrutura já existe, os pontos já estão definidos. O que falta é pessoal para atender a população, porque a demanda é real”, concluiu.


























