A trajetória do produtor rural Juarez Fernando Monareto, da linha Flor da Serra, em Juína (MT), é marcada por trabalho, tradição familiar e, mais recentemente, por transformação. Filho de uma família que vive na propriedade desde 1984, Juarez sempre teve o sonho de investir em um rebanho de genética superior, mas esbarrava nas limitações financeiras.
Essa realidade começou a mudar com a chegada da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT), por meio do programa de inseminação artificial. A partir de 2024, com o acompanhamento técnico contínuo, o produtor passou a adotar novas práticas e a enxergar a propriedade com uma visão mais estratégica.
“Com a assistência, a gente foi mudando a mentalidade. Comecei a investir mais na genética e também melhorar o gado comercial. Hoje já vemos resultados diferentes”, relata Juarez.
A técnica de campo do Senar MT Rosiane Alves acompanha de perto a evolução da propriedade e destaca que o entusiasmo do produtor foi essencial para o avanço.
Segundo ela, a inseminação artificial despertou em Juarez uma nova perspectiva, mostrando que o melhoramento do rebanho vai além da técnica em si e envolve um conjunto de ações dentro da propriedade.
“O trabalho não é só inseminar. É cuidar da sanidade, da nutrição, da estrutura da fazenda e da gestão. Tudo isso junto é que traz resultado”, explica.
Com o suporte da ATeG, foram implementadas melhorias na sanidade animal, com vacinação reprodutiva, além de investimentos em infraestrutura, como curral, cercas e divisão de pastagens. A propriedade também passou a contar com um controle financeiro mais detalhado, permitindo decisões mais assertivas.

Para o mobilizador sindical João dos Reis, o engajamento do produtor faz toda a diferença no sucesso do programa.
“Quando o produtor está disposto a aprender e seguir as orientações técnicas, o trabalho flui melhor e os resultados aparecem. A proposta da ATeG é justamente levar conhecimento e tecnologia para dentro da propriedade”, destaca.
Sucessão familiar no campo
Mais do que ganhos produtivos, a transformação na propriedade também tem fortalecido a sucessão familiar. A filha de Juarez, Gabriela Monareto, passou a participar ativamente das atividades e decisões da fazenda.
“Comecei a acompanhar mais de perto os projetos depois que a ATeG chegou. Fui entendendo melhor, principalmente a inseminação, que é uma oportunidade muito boa, principalmente para pequenos produtores”, conta.
Juarez vê na participação da filha a continuidade de um legado construído por gerações. “A propriedade vem dos meus antepassados e quero deixar isso para ela também. A gente ensina o que sabe porque ama o que faz. Trabalhar em família é um prazer”, afirma.
De acordo com o gerente da ATeG do Senar MT, Bruno Faria, iniciativas como essa representam um salto importante para a pecuária no estado.
“A assistência técnica tem o papel de levar soluções práticas para dentro das propriedades, promovendo a adoção de tecnologias que aceleram o melhoramento genético do rebanho. Com isso, o produtor ganha em eficiência, produtividade e qualidade, tornando a atividade mais competitiva e sustentável”, explicou Bruno.
ATeG Inseminação avança e amplia resultados no campo
Desde o início, em dezembro de 2024, a ATeG Inseminação vem fortalecendo a pecuária em Mato Grosso, com resultados consistentes na melhoria da eficiência produtiva. Só na primeira etapa da estação 2025/2026, concluída em abril, foram atendidas 1.273 propriedades em 95 municípios, com a realização de 53.729 diagnósticos de gestação e 32.511 protocolos de inseminação artificial. A taxa média de prenhez alcançou 44,47%, demonstrando a efetividade da técnica aliada a um bom manejo.
Já para a segunda etapa, voltada à pecuária leiteira, a expectativa é atender 314 propriedades e realizar mais de 5 mil inseminações, com conclusão prevista entre julho e agosto.
“Os números reforçam que estamos no caminho certo, levando tecnologia e orientação técnica de forma estruturada ao produtor rural. A inseminação, quando bem aplicada, gera ganhos reais em produtividade e qualidade do rebanho. Agora, com a etapa voltada ao leite, ampliamos ainda mais esse impacto, atendendo uma demanda importante e contribuindo para o desenvolvimento da atividade no estado”, explicou Jéssica Gonçalves, supervisora do projeto ATeG Inseminação.
























