Cuiabá pode estar prestes a viver mais uma reviravolta no seu sistema de transporte público. Depois do fracasso do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), e da substituição pelo Bus Rapid Transit (BRT), o governo de Mauro Mendes (União Brasil) agora avalia trocar novamente de modal, desta vez, pelo Bonde Urbano Digital (BUD), uma tecnologia chinesa que combina características de ônibus e metrô leve, operando sobre trilhos magnéticos virtuais.
Se confirmada a mudança, será a terceira tentativa de Mato Grosso em duas décadas para modernizar o transporte público intermunicipal entre Cuiabá e Várzea Grande.
Em conversa com a imprensa, o governador Mauro Mendes confirmou que autorizou uma visita técnica do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), a Curitiba, no Paraná, onde o novo modal está implantado, mas evitou adiantar qualquer decisão.
“O governo está estudando. Eu autorizei a viagem para avaliar opções. Não gosto de falar de nada antes que esteja 100% definido”, declarou Mendes na noite desta quinta-feira.
A comitiva mato-grossense, formada também pelos secretários Rogério Gallo (Fazenda) e Marcelo Oliveira (Infraestrutura), reuniu-se com o governador Ratinho Júnior (PSD) para conhecer de perto o funcionamento do modal, desenvolvido pela empresa chinesa CRRC Nanjing Puzhen.
Pivetta também evitou comentar sobre o assunto, mas disse que a visita abriu novos horizontes.
“Fizemos uma visita muito importante, que abriu novos horizontes. O governador vai anunciar em breve o que será feito”, disse Pivetta, destacando que a viagem foi feita a pedido de Mauro Mendes.
O bonde digital que pode substituir o BRT
O Bonde Urbano Digital (BUD) é considerado um dos sistemas de transporte público mais modernos do mundo. Ele não utiliza trilhos físicos, mas sim guias magnéticas, chamadas de “trilhos virtuais”, que orientam o deslocamento do veículo sobre o asfalto. Com 30 metros de comprimento, o BUD pode transportar até 280 passageiros e atingir velocidades de até 70 km/h.
Além da alta capacidade, o sistema promete menor custo de implantação e baixo impacto ambiental em comparação ao BRT e ao VLT. O modelo já é utilizado em cidades da China e está sendo implantado em países como Austrália, México e agora Brasil, no Paraná.
Segundo Pivetta, o governo de Mato Grosso busca soluções “eficientes, modernas e sustentáveis” para a mobilidade urbana.
“O governador vai decidir o que é melhor para o Estado. Fomos buscar conhecimento técnico e alternativas que possam atender Cuiabá e Várzea Grande de forma definitiva”, afirmou.
Um histórico de idas e vindas
O transporte público de Cuiabá carrega um histórico de frustrações. O Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), lançado como símbolo da modernização da cidade para a Copa do Mundo de 2014, nunca saiu do papel. O projeto consumiu mais de R$ 1 bilhão dos cofres públicos e foi oficialmente abandonado. Em 2020, o governador Mauro Mendes anunciou a substituição pelo BRT, alegando inviabilidade técnica e financeira para dar andamento ao VLT.
O BRT, por sua vez, foi anunciado em dezembro de 2020 com a promessa de rapidez, eficiência e menor custo, mas o andamento das obras tem sido marcado por atrasos e críticas. Previstas para começar em 2021, as obras só foram iniciadas em janeiro de 2024 e, atualmente, estão cerca de 20% concluídas.
A nova possibilidade de substituição, antes mesmo da conclusão do BRT, reacende o debate sobre planejamento e continuidade administrativa.
Nos bastidores, a movimentação é interpretada também como uma tentativa de resposta política às críticas sobre os atrasos e custos do BRT, apontado por aliados e opositores como o “calcanhar de Aquiles” da atual gestão.
De acordo com informações do governo do Paraná, o modelo de transporte adotado em Curitiba tem atraído atenção de diversos estados brasileiros, incluindo São Paulo, Brasília, Florianópolis, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Cuiabá.
O vice-governador paranaense destacou que o BUD representa uma “nova geração de mobilidade urbana”, unindo eficiência, sustentabilidade e tecnologia. Em Mato Grosso, técnicos da Secretaria de Infraestrutura (Sinfra) deverão elaborar relatórios comparativos entre os modais antes que o governador tome uma decisão final.
Enquanto isso, o cenário em Cuiabá segue em compasso de espera com obras do BRT em andamento e a possibilidade de um novo plano de mobilidade ganhando força nos bastidores.























