NOVA CARA DO DC

Advogada de Cuiabá assume candidatura do DC à Presidência e rompe sequência de Eymael

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A advogada cuiabana Clariana Barão será a candidata do Democracia Cristã (DC) à Presidência da República nas eleições de 2026 e protagoniza uma mudança histórica dentro da sigla: ela ocupa o espaço que, por décadas, esteve associado às sucessivas candidaturas presidenciais do ex-deputado federal constituinte José Maria Eymael.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, Eymael decidiu reduzir o ritmo de atuação à frente do partido, abrindo caminho para uma renovação na candidatura nacional do DC.

Presidente estadual da legenda em Mato Grosso, Clariana terá uma chapa formada exclusivamente por mulheres. A candidata a vice-presidente será a também advogada Fabiana Torquato.

A disputa pelo Palácio do Planalto será a primeira eleição da carreira política de Clariana. Mesmo estreando nas urnas diretamente em uma corrida presidencial, ela afirma não se sentir intimidada pelo tamanho do desafio.

“Não me sinto intimidada pelo peso do cargo. Sou uma mulher honrada, de princípios firmes, que valoriza a família e não negocia com a desonestidade”, declarou à Folha.

De Cuiabá diretamente para a disputa pelo Planalto

Nascida em Cuiabá, Clariana é filha de uma biomédica e de um advogado. Advogada de formação, ela construiu carreira profissional antes de assumir protagonismo partidário no Democracia Cristã em Mato Grosso.

Agora, deixa a presidência estadual da legenda como principal plataforma política para disputar o cargo mais alto da República.

À reportagem da jornalista Luana Lisboa, da Folha, Clariana buscou se apresentar como uma candidata cuja trajetória se aproxima da realidade de mulheres que conciliam trabalho, maternidade e responsabilidades financeiras.

Solteira, ela é mãe de Laura, de 15 anos, e se define como chefe da própria família.

“Sou a chefe da minha família, sou mãe solo, trabalho muito, acordo cedo, construí a minha vida financeira do zero, à custa de muito suor, de retidão”, afirmou.

Na sequência, resumiu a imagem que pretende levar para a campanha:

“Eu sou um retrato da mulher brasileira comum.”

Patrimônio declarado de R$ 1,8 milhão

Clariana declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de aproximadamente R$ 1,8 milhão.

Segundo os dados apresentados, a maior parte do patrimônio está concentrada em dois bens. Um imóvel declarado em R$ 979,5 mil e um veículo avaliado em R$ 376 mil representam cerca de 74% do total informado pela candidata.

A estreia eleitoral coloca a advogada mato-grossense em uma situação incomum: sem ter disputado anteriormente cargos de vereadora, deputada, prefeita ou governadora, ela inicia sua trajetória eleitoral diretamente como candidata à Presidência da República.

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Fim de uma tradição de Eymael no DC

A candidatura também marca uma mudança de geração dentro do Democracia Cristã.

José Maria Eymael transformou-se, ao longo das últimas décadas, em uma das figuras mais associadas às eleições presidenciais brasileiras e à própria identidade da legenda.

Ex-deputado federal constituinte, ele participou repetidamente das disputas pelo Palácio do Planalto e ficou nacionalmente conhecido tanto pelas candidaturas quanto pela presença constante do partido nas eleições presidenciais.

Com a decisão de diminuir o ritmo à frente do DC, o protagonismo nacional da sigla passa agora para Clariana Barão.

A advogada mato-grossense terá pela frente o desafio de transformar uma candidatura ainda pouco conhecida nacionalmente em uma alternativa capaz de conquistar espaço em uma eleição marcada por nomes já consolidados na política brasileira.

Para Clariana, porém, a falta de experiência eleitoral anterior não é apresentada como obstáculo. Sua estratégia inicial é justamente transformar a condição de estreante e a trajetória fora dos cargos eletivos em parte da identidade da campanha.

Leia a íntegra da reportagem:

Advogada interrompe décadas de hegemonia de Eymael na candidatura do DC à Presidência

Neste ano, não teremos a musiquinha: “Ey, Ey, Eymael, um democrata cristão!” Depois de seis eleições consecutivas, o DC decidiu lançar um novo nome para concorrer à Presidência: Clariana Zacarkim Barão, 39, advogada, que nunca disputou uma eleição.

Um dos constituintes da Constituição Federal de 1988, josé Maria Eymae, deputado federal entre 1986 e 1995, decidiu diminuir seu ritmo à frente do partido. Clariana, que é presidente estadual da sigla em Mato Grosso, terá como vice outra mulher, a também advogada Fabiana Torquato.

“Não me sinto intimidada pelo peso do cargo. Sou uma mulher honrada, de princípios firmes, que valoriza a família e não negocia com a desonestidade”, diz Clariana.

Filha de uma biomédica e um advogado, a candidata declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 1,8 milhão, dos quais 74% são um imóvel de R$ 979,5 mil e um carro de R$ 376 mil.

“Sou a chefe da minha família, sou mãe solo, trabalho muito, acordo cedo, construí a minha vida financeira do zero, à custa de muito suor, de retidão”, diz. Solteira, é mãe de Laura, de 14 anos. “Eu sou um retrato da mulher brasileira comum”, acrescenta.

É essa a bandeira que carrega como principal da sua campanha. Se pudesse escolher uma medida para os cem primeiros dias de um eventual governo, diz que seria o enfrentamento ao feminicídio, que considera o maior problema do país hoje, junto à corrupção. Sua forma de combate, diz, seria com rede de acolhimento imediato a mulheres que denunciam agressores, e políticas de independência financeira para elas.

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Nascida em Cuiabá (MT), atribui aos pais o interesse por causas sociais: a família mantinha contato com casas de acolhimento de crianças, idosos e pessoas com deficiência, além de pacientes de hanseníase. Fez trabalho voluntário nas enchentes do Rio Grande do Sul.

Descrevendo-se como candidata de centro-direita, defende a criação de cotas de cadeiras parlamentare para mulheres, para além das atuais cotas de candidatura, e diz reconhecer propostas válidas tanto à direita quanto à esquerda. “A política é a grande habilidade de negociar de uma maneira republicana, não interesses particulares ou escusos”, afirma.

Clariana classifica a atual gestão Lula como um “governo de publicidades”. Afirma que o Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra as Mulheres não reduziu os números de feminicídio. Por outro lado, faz uma ressalva favorável às políticas de cotas raciais e sociais adotadas por governos petistas, que considera um instrumento válido de equidade.

Chama de “guerrilha” a polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). “Até acredito que todos os lados têm boas ideias, mas que essa guerrilha que eles tomaram para si para defender as próprias ideologias só faz mal para o país”, diz.

Compara a necessidade de cotas, ainda, ao que considera o seu “grande desafio”: a falta de tempo de TV e de rádio.

O DC está entre os dez partidos que, em 2026, não atingiram a cláusula de barreira, regra que exige 2,5% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados, com no mínimo 1,5% em nove unidades da federação, ou ao menos 13 deputados eleitos distribuídos por nove UFs. Por isso, a legenda ficará sem acesso ao fundo partidário e receberá apenas a cota mínima do fundo eleitoral, de R$ 3,3 milhões. Também por não superar essa cláusula, o partido não terá direito a horário eleitoral gratuito no rádio e na TV.

“Os candidatos não largam do mesmo ponto de partida, isso é um fato”, afirma. Por isso, diz apostar nas redes sociais e em espaços de imprensa como estratégia para superar essa desvantagem de exposição.

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