TERCEIRO DIA

Júri dos acusados de matar Zampieri pode durar até 10 horas antes de decisão dos jurados

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O julgamento dos três acusados de participação no assassinato do advogado Roberto Zampieri entra hoje (1º) em seu terceiro dia e ainda pode se estender por várias horas antes de chegar à sentença. A estimativa é de até 10 horas apenas de debates entre defesas e Ministério Público, caso sejam utilizados integralmente os tempos previstos.

Pelo cálculo feito a partir da dinâmica do júri, as defesas podem usar cerca de três horas, enquanto o Ministério Público também terá aproximadamente três horas para sustentar a acusação. Depois, ainda podem ocorrer duas horas de réplica da defesa e duas horas de tréplica do MP.

Somente após essa fase o Conselho de Sentença, formado pelos jurados, se reunirá para responder aos quesitos apresentados pelo juiz. A partir das respostas, caberá ao magistrado proferir a sentença e, em caso de condenação, fixar as penas.

O que já aconteceu

Os dois primeiros dias foram concentrados na oitiva de testemunhas e, principalmente, nos interrogatórios dos três réus: Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas.

Antônio, apontado como executor, admitiu ter matado Zampieri e apresentou aos jurados uma versão segundo a qual teria agido por conta própria, movido por uma cruzada pessoal contra a corrupção.

Em plenário, afirmou que pesquisou a vida do advogado, aproximou-se dele usando uma história sobre compra de terras e chegou a dizer que faria tudo novamente. “Matei mesmo e, se fosse preciso matar, mataria de novo porque ele realmente é uma desgraça”, declarou.

Antônio também afirmou que mataria o desembargador aposentado Sebastião de Moraes Filho, caso tivesse recebido essa tarefa e tivesse certeza de que ele era corrupto.

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Durante o julgamento, sua defesa ainda tentou suspender o processo e instaurar um incidente de insanidade mental, alegando sinais de desequilíbrio durante o interrogatório.

O Ministério Público reagiu afirmando que a tese nunca havia sido levantada durante mais de dois anos de processo e acusou a defesa de tentar “plantar uma nulidade”.

O juiz rejeitou o pedido. Na decisão, afirmou que Antônio apresentou falas coesas, demonstrou compreensão sobre o processo e sobre os próprios atos e que não havia qualquer elemento concreto nos autos que justificasse a instauração do incidente.

Hedilerson diz que foi traído

Hedilerson Fialho, instrutor de tiro e despachante bélico, negou participação no crime. Ele admitiu que conhecia Antônio e que veio a Cuiabá para participar de uma competição de tiro, trazendo consigo uma pistola Taurus 9 mm.

Hedilerson sustenta que deixou a arma no hotel e que Antônio a pegou sem autorização. “O Antônio mentiu pra mim, me traiu”, afirmou.

Ele também negou conhecer Zampieri e disse que só ficou sabendo quem era o advogado depois de ser preso.

Hedilerson confirmou ligação com a Frente Ampla Patriótica (FAP), grupo comandado por Caçadini, e tentou dar outra explicação para a mensagem “missão cumprida” enviada ao coronel, afirmando tratar-se de um jargão usado entre militares e integrantes do grupo.

Caçadini nega vínculo com Zampieri

O coronel aposentado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas também negou participação no assassinato.

Ele afirmou conhecer Antônio e Hedilerson por meio da FAP, mas disse nunca ter conhecido Roberto Zampieri nem ouvido falar dele antes da repercussão do crime.

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Caçadini também negou que movimentações financeiras investigadas tenham relação com a execução e afirmou que valores depositados em Cuiabá tinham origem em venda de equipamentos e dividendos.

O que diz o MP

O Ministério Público sustenta uma versão completamente diferente das apresentadas pelos réus. Segundo a acusação, Roberto Zampieri foi vítima de uma execução planejada e encomendada, com divisão de funções entre os envolvidos.

Antônio Gomes é apontado como o homem que efetuou os disparos.

Hedilerson, segundo o MP, teria participado da logística da execução e fornecido a arma utilizada no crime.

Caçadini é apontado pela acusação como integrante da articulação e do financiamento do homicídio.

Entre os elementos apresentados pela acusação estão mensagens trocadas depois da morte de Zampieri, entre elas “Coronel, missão cumprida” e “Iniciando plano de retirada”.

O crime

Roberto Zampieri era advogado em Cuiabá e atuava principalmente em disputas envolvendo grandes propriedades rurais e conflitos fundiários de alto valor.

Ele foi assassinado a tiros na noite de 5 de dezembro de 2023, quando deixava o escritório onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde.

Segundo o Ministério Público, a morte estaria relacionada à atuação profissional do advogado em uma disputa milionária por terras. A tese da acusação é de que Zampieri contrariava interesses ligados a pessoas envolvidas na disputa e, por isso, sua morte teria sido encomendada.

Agora, depois de dois dias de depoimentos, interrogatórios e embates sobre as versões apresentadas pelos réus, o julgamento entra na fase decisiva.

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