A visita do candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) a Mato Grosso, nesta segunda-feira (31), se transformou em um constrangimento político para o também candidato Wellington Fagundes (PL), que disputa o Palácio Paiaguás, mas não foi convidado.
Flávio chegou ao Estado para uma visita ao território indígena do povo Haliti-Paresi, em Campo Novo do Parecis, onde conheceu a produção agrícola desenvolvida por 12 comunidades e fez gravações para sua campanha eleitoral.
A agenda foi organizada pelo candidato ao Senado José Medeiros (PL) e por seu primeiro suplente, o empresário Odílio Balbinotti Filho, que também coordena a campanha presidencial de Flávio em Mato Grosso.
A questão é que Wellington, candidato do próprio PL ao Governo, não foi chamado para participar da agenda inicial. Segundo apurou a reportagem, Flávio alegou que pretendia evitar tumulto no local e não queria que Wellington aparecesse levando dezenas de candidatos, que iriam pedir gravações ao lado do presidenciável.
Nos bastidores, porém, a ausência de Wellington foi interpretada como mais um sinal do distanciamento entre o candidato ao Governo e o núcleo bolsonarista, que atua na campanha de Flávio em Mato Grosso.
Um dos pontos de atrito é a coligação costurada pelo PL com o MDB para a disputa estadual. A aliança colocou no mesmo palanque José Medeiros e Janaina Riva (MDB), ambos candidatos ao Senado, e provocou divergências dentro da legenda.
Medeiros é um dos políticos de Mato Grosso mais próximos da família Bolsonaro e viu a entrada do MDB na coligação como um movimento que fortaleceu diretamente sua adversária na disputa por uma das duas vagas ao Senado.
A divisão chegou à propaganda eleitoral. Ata da Executiva do PL estabeleceu que o tempo da legenda destinado à eleição ao Senado seria direcionado a Medeiros, enquanto o tempo do MDB ficaria com Janaina. O restante seria dividido entre os candidatos.
Cidinho participou
Na visita desta segunda-feira, Flávio esteve acompanhado de Medeiros, Balbinotti, do candidato a deputado federal Thiago Boava (PL) e até mesmo do ex-senador Cidinho Santos (PP), candidato a primeiro-suplente na chapa de Mauro Mendes (União) ao Senado.
A presença de Cidinho chamou a atenção porque Mauro integra o grupo político do governador e candidato à reeleição Otaviano Pivetta (Republicanos), justamente o principal adversário de Wellington na disputa pelo Governo.
Pivetta, embora não seja filiado ao PL, já declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, o que ampliou a disputa pelo eleitorado bolsonarista em Mato Grosso. Ele também mantém ligação próxima com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).
Corrida para o encontro
Ao tomar conhecimento da agenda do presidenciável, Wellington alterou sua programação e embarcou para Campo Novo do Parecis na tentativa de se encontrar com Flávio.
A movimentação ocorreu depois de o presidenciável já ter participado da visita aos Haliti-Paresi ao lado de Medeiros e dos demais aliados.
Wellington conseguiu se encontrar com Flávio posteriormente e gravar uma participação rápida ao lado dele para utilizar em sua propaganda eleitoral e divulgar nas redes.
O episódio permitiu ao candidato do PL tentar reduzir o impacto político de ter ficado inicialmente fora da agenda do principal candidato nacional de seu partido.
Segundo episódio
Essa é a segunda vez, em menos de duas semanas, que Wellington fica de fora de uma agenda importante envolvendo o comando da campanha presidencial do PL.
No dia 21 de agosto, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha de Flávio Bolsonaro, participou de um almoço com cerca de 50 empresários e lideranças políticas em Cuiabá.
O encontro foi articulado por Odílio Balbinotti e teve como objetivo aproximar empresários do agronegócio da campanha presidencial de Flávio.


























