A Justiça Federal determinou a soltura da empresária Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro, presa preventivamente em Cuiabá durante a Operação Bóreas, da Polícia Federal, que investiga uma suposta organização criminosa envolvida no transporte internacional de drogas e armas por meio de aeronaves.
O alvará de soltura foi expedido pela 4ª Vara Federal de Palmas, no Tocantins, na noite de quinta-feira (27) e encaminhado, por carta precatória, à 5ª Vara Federal Criminal de Mato Grosso, conforme consta no andamento processual.
Thatiana havia sido presa na terça-feira (25), durante a operação deflagrada pela Polícia Federal. Ela é investigada por suspeita de integrar o grupo alvo da apuração.
A decisão pela soltura não representa encerramento da investigação nem julgamento sobre eventual responsabilidade criminal da empresária.
Empresária é sócia de bar na Praça Popular
Thatiana Rabelo é sócia da TRMT Restaurante, empresa que utiliza o nome fantasia Tatu Bola e funciona na Praça Popular, uma das regiões de bares e restaurantes mais movimentadas de Cuiabá.
A prisão ganhou repercussão na Capital após a Polícia Federal cumprir a ordem judicial contra a empresária durante a Operação Bóreas.
A ação é conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal no Tocantins, com participação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado e de policiais federais do Pará.
PF investiga transporte de cocaína e armas em aviões
Segundo a Polícia Federal, a investigação apura a atuação de um grupo que organizaria voos e utilizaria pistas clandestinas, além de fornecer suporte logístico para transportar grandes carregamentos de cocaína e armas provenientes da Bolívia e do Peru.
As investigações buscam identificar a participação de cada suspeito na estrutura e esclarecer como funcionariam a aquisição, o transporte e a movimentação financeira relacionada às operações.
Além da prisão preventiva de Thatiana, foram cumpridos outros dois mandados de prisão preventiva e três mandados de busca e apreensão.
A Justiça também autorizou medidas de apreensão de aeronaves, bloqueio e sequestro de bens e valores vinculados aos investigados.
As ordens foram expedidas pelo Juízo da 4ª Vara Federal de Palmas.
A Polícia Federal ainda solicitou a inclusão de dez investigados na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para localização internacional de pessoas procuradas pelas autoridades.
Os investigados poderão responder, conforme o resultado das apurações e a eventual responsabilização individual, pelos crimes de tráfico internacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Empresária chorou em audiência de custódia
Após ser presa na terça-feira, Thatiana passou por audiência de custódia.
Durante a audiência, a empresária chorou e afirmou não saber o motivo pelo qual havia sido presa, conforme informações divulgadas sobre o procedimento.
A defesa também questionou a prisão e pediu a liberdade da investigada.
Durante o interrogatório, Thatiana informou às autoridades que possui um irmão, Márcio Rabello Mesquita Theodoro, preso em flagrante no ano passado em uma ocorrência envolvendo uma aeronave carregada com drogas.
Irmão foi preso com avião carregado com cerca de 475 kg de drogas
Segundo as informações constantes da investigação, Márcio pilotava uma aeronave Cessna 210M, de prefixo PS-PIX, que realizou um pouso irregular em uma pista localizada na zona rural de Caseara, no Tocantins.
No avião foram encontrados aproximadamente 475 quilos de cloridrato de cocaína e pasta base de cocaína, distribuídos em tabletes.
Também foram apreendidos aproximadamente 787 gramas de maconha ou haxixe.
O episódio envolvendo o irmão integra o contexto considerado pelas autoridades durante a investigação, mas a existência desse vínculo familiar, por si só, não estabelece responsabilidade criminal de Thatiana pelos fatos atribuídos a ele.
Investigação continua
A Operação Bóreas permanece em andamento e busca aprofundar a identificação dos integrantes e da estrutura financeira e logística do grupo investigado.
A ordem de soltura concedida pela Justiça Federal altera a situação cautelar de Thatiana, mas ela continua submetida à investigação.
Até o momento, as informações divulgadas não indicam condenação da empresária pelos crimes investigados. Eventual responsabilidade criminal dependerá da conclusão das investigações, manifestação do Ministério Público e decisão da Justiça.

























