A vice-prefeita de Cuiabá, coronel Vânia Rosa (Novo), afirmou durante coletiva de imprensa nesta sexta-feira (12), que pretende estruturar a vice-prefeitura e transformá-la em um órgão funcional e relevante para a gestão municipal. A ideia, segundo ela, é criar o que chamou de “Casa Vice”, com atribuições definidas e participação ativa em projetos estratégicos.
Atualmente, o cargo de vice-prefeito em Cuiabá tem apenas caráter simbólico, sem funções oficiais na administração.
“Não dá para viver de status. Estar aqui nesse momento, como vice, quero fazer isso valer. Afinal de contas, ganho um salário para estar aqui, fui eleita e preciso ser útil”, declarou Vânia.
Durante a coletiva, a coronel aproveitou para apontar falhas na gestão municipal, em especial na área esportiva.
“O prefeito não tem projeto de esporte em nenhum momento”, afirmou. Segundo ela, a ausência de planejamento nessa área reflete a falta de funcionalidade da vice-prefeitura.
Para Vânia, a construção do cargo precisa ser pensada de forma estratégica.
“Essa construção tem sido feita de portas abertas. Eu entro aqui e busco dar alternativas, porque não dá para deixar o papelão fazer o candidato. A gente precisa dar funcionalidade para esse espaço”, disse.
Busca por autonomia e responsabilidades
A vice-prefeita ressaltou que tem autonomia política, mas carece de funções definidas. Os quatro cargos destinados ao gabinete da vice estão lotados na Secretaria de Governo, e Vânia sequer possui uma sala própria no Palácio Alencastro. “Autonomia enquanto vice eu tenho, contudo não tenho atribuições, funções. Os vice-prefeitos estavam a cargo de alguma secretaria, então sendo vice, preciso trabalhar”, afirmou.
Ela ainda destacou que a ideia é sistematizar as responsabilidades do cargo e criar um espaço institucionalizado. “Como essa atribuição vai acontecer? De forma mediada, dosada e conversada. Se fosse fácil ter uma estrutura de vice com atribuição, já teríamos. Esse também é um desafio”, disse.
Estratégias e parcerias externas
Vânia também defendeu que a vice-prefeitura deve atuar em articulações políticas que a gestão municipal não consegue priorizar no dia a dia. “Estamos buscando estratégias e parcerias público-privadas, articulação junto a governos federal e estadual. Tratativa que hoje, devido à rotina demasiada do prefeito, não é focada em trazer recursos”, declarou.
Segundo ela, há exemplos de sucesso em outras capitais que poderiam ser adaptados para Cuiabá. “Surgem casos relevantes em outros estados e a gente não tem. Precisamos desse know-how para trazer cases de sucesso para nossa capital”, completou.
Relação com o prefeito após atritos
A vice-prefeita também comentou sobre os desentendimentos recentes com o prefeito Abilio Brunini (PL), que a exonerou do comando da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) em agosto. À época, Vânia chegou a retornar à secretaria acompanhada de uma advogada e de policiais militares para acompanhar uma vistoria, já que possuía as chaves de salas que estavam trancadas.
Questionada sobre a relação atual com o prefeito, ela respondeu de forma direta: “Nem Samantha [Iris, vereadora e esposa de Abilio] tem todas as arestas aparadas com ele”.
Apesar da resposta, destacou que mantém relação respeitosa com Brunini. “De forma funcional o prefeito não tem fechado as portas em nenhum momento para mim. Essa construção está sendo feita com as portas abertas. Eu chego, e o Abilio deixa qualquer um para poder me atender, e isso tenho que reconhecer. Ele para e ouve. Ele sempre me respeitou”, concluiu.




















