A senadora Margareth Buzetti (PSD), voltou a criticar o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Em entrevista à Jovem Pan, a parlamentar responsabilizou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro por prejudicar o Brasil economicamente ao atuar, segundo ela, contra os interesses nacionais em solo norte-americano. A senadora também voltou a afirmar que Eduardo estaria prejudicando diretamente o próprio pai.
Para Buzetti, as articulações do deputado nos Estados Unidos contribuíram diretamente para a decisão de Donald Trump ao anunciar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, o que deve afetar diversos setores industriais e o agronegócio já a partir de agosto.
“A Confederação Nacional da Indústria (CNI), está extremamente preocupada e, sim, coloca na conta da família Bolsonaro. Isso que a gente não queria, isso que não precisaria. Se o Eduardo não tivesse entrado nessa briga, dizendo que ele estava negociando e encontrando tarifas, o que eu não acredito, nada disso teria escalado assim”, declarou.
Segundo a parlamentar, enquanto outros países negociam acordos mais vantajosos – como o Japão, que conseguiu manter tarifas em 15% –, o Brasil está prestes a sofrer um impacto devastador.
“Vai ser extremamente danoso. A manga que está pronta para exportar, a laranja, o café… Como é que você vai negociar tudo isso de uma hora para outra? É um prejuízo imenso para o país.”
Buzetti criticou a escalada institucional entre Executivo, Legislativo e Judiciário, atribuindo à postura radical de Eduardo Bolsonaro parte da instabilidade atual.
“Nós temos que preservar a economia nacional. É isso que nós temos que fazer. Se todos não se intitulam patriotas, como patriotas se estamos taxando em 50%?”, questionou.
Ela relembrou uma declaração atribuída ao deputado nos EUA: “Se depois de tudo isso sobrar uma terra arrasada, eu não estou satisfeito”. Para a senadora, a fala é inaceitável. “Lamentável que um deputado tenha uma atitude dessa e coloque os dois países com as suas maiores economias em xeque dessa forma.”
Buzetti afirmou ainda que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro deveria renunciar ao mandato, caso não tenha intenção de retornar ao Brasil para cumprir suas funções no Congresso Nacional.
“Acho extremamente errado. Acho que não pode ser assim. Se ele está nos Estados Unidos e, ao que parece, não pretende voltar, está muito tranquilo e confortável por lá, então penso que ele precisa pensar mais no pai, que está aqui, doente, e evitar escalar uma briga desnecessária”, afirmou Buzetti.
“Se não quer vir aqui e exercer o mandato, saia. Eu não quero pagar o salário de ninguém, não. Se ele não está trabalhando, não está produzindo. É isso”, completou.
A senadora criticou ainda as sanções impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, como usa da tornozeleira eletrônica. Segundo ela, é um ‘exagero’.
“Achei totalmente desnecessário, no momento errado, desnecessário mesmo. Isso ainda vai ser julgado. Essa questão só serve para escalar ainda mais a briga entre direita – esquerda para aumentar a polarização.”
A senadora defende que os Três Poderes baixem o tom e retomem o diálogo institucional.
“Está na hora de baixar a temperatura – do Supremo, do Judiciário, do Legislativo e do Executivo. Vamos sentar à mesa, encontrar soluções, ao invés de ficar apontando o dedo na cara do outro e brigando. É isso.”
Eleições
Ao comentar sobre o futuro político da direita no Brasil, Buzetti defendeu a necessidade de afastamento do bolsonarismo radical. Para ela, é hora de construir uma nova liderança mais equilibrada.
“Esses radicais que estão aí esbravejando em nome de Eduardo Bolsonaro e não estão preocupados com o próprio Bolsonaro, que está com a saúde fragilizada, não é o caminho.”
Ao ser questionada sobre possíveis nomes fortes para 2026, diante da provável inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro, a senadora apontou alternativas.
“Temos o Tarcísio, temos o Ratinho Júnior, temos vários nomes muito bons que podem somar. O próprio Galhardo está se aproximando. Mas acredito muito no Tarcísio e no Ratinho Júnior. Acho que são nomes que podem se somar e fazer um excelente governo, um governo mais de centro-direita, sem essa polarização como tem sido. Porque isso está fazendo muito mal para o país.”




















