O sargento da Polícia Militar Eduardo Soares de Moraes, lotado na Seção de Justiça e Disciplina do Batalhão de Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam), detalhou em depoimento a entrega de um envelope contendo R$ 10 mil que teria sido enviado em nome do presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Zuquim Nogueira. Em vídeo, o magistrado afirmou desconhecer a encomenda e denunciou um golpe.
O depoimento, o sargento contou que recebeu uma ligação de Laura Kellys, esposa de Jackson Pereira Barbosa, investigado pela morte do advogado Renato Nery, e prima de um amigo seu. Ela teria pedido carona até o Fórum de Cuiabá para encontrar um advogado e, depois, seguir até a rodoviária.
“Eu saí do Batalhão e fui direto encontrar com ela na pousada onde estava hospedada. Não solicitei carro por aplicativo, apenas ofereci a carona. Ela só disse que iria encontrar um advogado”, relatou o militar, afirmando não ter proximidade com Laura.
No estacionamento do Fórum, Laura pediu que o sargento encontrasse um Logan prata, conduzido por um homem identificado como Robson.
“Perguntei se era ele e ele disse que tinha ido buscar uma encomenda. Apontei para o carro onde Laura estava, ele se aproximou e ela entregou um envelope. Vi que era de depósito e percebi que continha dinheiro”, disse o PM.
Preocupado, o sargento checou a placa do veículo e questionou Laura sobre o conteúdo.
“Ela confirmou que era dinheiro e disse que o destinatário era funcionário de um advogado que não queria entrar no Fórum com o valor em espécie.”
Para evitar permanecer no carro, Moraes decidiu acompanhar Laura até o interior do Fórum e aguardar o suposto advogado, que não apareceu. “Depois de uns 10 minutos, avisei que tinha compromisso e ela disse que ligaria para ele mais tarde. Levei-a à rodoviária, ela embarcou e fui embora.”
O caso
O presidente do TJMT afirma ter sido alvo de uma tentativa de armação, na qual R$ 10 mil foram enviados à sede do Tribunal em seu nome. O valor foi entregue por um motorista de aplicativo, que disse ter recebido a corrida diretamente do desembargador.
Segundo o motorista, a solicitação foi feita por uma pessoa que utilizava um número de telefone com a foto e o nome de José Zuquim Nogueira, simulando que a entrega era de sua autoria.























