A empresa de reciclagem Canaã Recicláveis, localizada no bairro Coophamil, em Cuiabá, que foi atingida por um incêndio de grandes proporções na noite desta segunda-feira (13), estava com o alvará do Corpo de Bombeiros vencido, mas o documento estava em processo de renovação desde uma vistoria feita no dia 14 de agosto.
A informação é coronel do Corpo de Bombeiros, Heitor Fernandes que coordena as equipes no local. O fogo destruiu parte da estrutura e mobilizou os militares por mais de 12 horas até o controle total das chamas.
“Ela já tirou o alvará várias vezes e estava no processo de renovação. Durante a última vistoria, foi constatado que houve ampliação da área e seriam necessárias pequenas adequações, como sinalizações e corrimãos. Nenhum dos sistemas preventivos estava comprometido, mas, tecnicamente, o alvará estava vencido”, explicou o coronel.
Os bombeiros seguem em trabalho de rescaldo e prevenção contra novos focos de combustão. Segundo Fernandes, o processo é demorado por conta da grande quantidade de materiais inflamáveis armazenados.
“Enquanto removemos os entulhos, ainda encontramos focos ativos escondidos. Cada vez que tiramos o material de cima, há risco de reacendimento das chamas”, detalhou.
De acordo com João Luiz Crosara Abrahão, irmão do proprietário e responsável pelas ações da empresa no momento, a área atingida estava em funcionamento havia cerca de seis meses e recebeu investimento de aproximadamente R$ 10 milhões.
Ele destacou que, apesar da dimensão do incêndio, a estrutura construída dentro dos padrões de licenciamento impediu que o fogo se espalhasse para além da propriedade.
“Isso mostra a importância de um processo de licenciamento bem feito. Apesar da proporção do incêndio, não houve passivo ambiental, o que comprova o cuidado com o projeto e a segurança da empresa”, afirmou.
A área atingida era responsável pela industrialização dos recicláveis, com produção mensal superior a 300 toneladas de materiais. Ainda não há estimativa oficial do valor do prejuízo, mas João Luiz adiantou que a empresa pretende retomar as operações em até 90 dias.
As causas do incêndio ainda serão investigadas. Segundo João Luiz, há duas possibilidades principais: curto-circuito ou combustão espontânea.
“Não acreditamos em incêndio criminoso. É possível que tenha sido um curto ou combustão espontânea. Isso será apurado por especialistas”, explicou.
Este foi o segundo incêndio registrado na Canaã Recicláveis. O representante destacou que a empresa possui todas as licenças ambientais e projeto de prevenção contra incêndios aprovado e executado.
“O projeto está aprovado e em trâmite de renovação. Não é que não existia. A empresa tem todas as medidas de segurança implantadas”, reforçou.
Apesar do susto e das perdas, João Luiz garante que a Canaã Recicláveis pretende reconstruir o galpão e voltar a operar o quanto antes, reafirmando o compromisso com as normas de segurança e sustentabilidade.




















