A morte da advogada Viviane Fidelis, ocorrida em 17 de setembro em Cuiabá, voltou a ganhar repercussão após ser tema de uma reportagem exibida no programa Domingo Espetacular (Record TV) neste domingo (23). O caso, inicialmente tratado como suicídio, passou a ser questionado pela família, o que levou a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) a reabrir as investigações para apurar a possibilidade de feminicídio.
O corpo da advogada foi encontrado depois que moradores do prédio relataram, em um grupo de WhatsApp, que o namorado dela, Raphael Augusto Gomes Campos Rondon, tentava entrar no edifício. O casal vivia um relacionamento recente, marcado por constantes idas e vindas.
Relatos de ciúmes e término
Uma amiga contou que Viviane já havia relatado episódios de ciúmes por parte de Raphael, inclusive durante uma viagem que fizeram a São Paulo. Segundo ela, a advogada havia terminado o relacionamento e inclusive cogitava pedir uma medida protetiva caso o ex tentasse se aproximar.
Quando questionada se Raphael já havia sido violento, Viviane respondeu que não havia agressões, mas mencionou que já fora empurrada por ele. O episódio teria ocorrido cerca de um mês antes da morte e foi relatado pela própria advogada em uma conversa com outra amiga.
“Hoje aconteceu um negócio que me deixou preocupada. Raphael dando de louco outra vez. Ciúmes, sabe-se lá do que. Me empurrou no sofá, não machucou, mas fiquei com medo.”
Viviane também contou que o ex mexera em seu celular enquanto ela dormia e que já houvera outras crises de ciúmes.
Desde a morte da advogada, Raphael não procurou a família e, ao ser ouvido pela polícia, optou por ficar em silêncio. Com o inquérito reaberto, ele ainda não foi intimado novamente.
O delegado Caio Albuquerque afirmou que a equipe analisa o momento adequado para ouvi-lo.
Investigações e falhas apontadas
De acordo com o delegado, as investigações seguem em andamento, com análise de imagens das câmeras de segurança e perícia no celular da vítima.
A família de Viviane reclama da lentidão na apuração e aponta supostas falhas cometidas na cena do crime, como a presença de uma faca no local e a falta de análise das unhas da advogada, que poderia indicar sinais de luta.
Uma vizinha contou que tentou chamar Viviane naquela noite, sem obter resposta. Por volta das 23h, Raphael esteve no prédio e passou à moradora a senha do apartamento, dizendo que queria ver se a ex estava bem após o término.
A vizinha encontrou Viviane morta no banheiro e autorizou a entrada de Raphael. A mãe da advogada, Sheila Regina Barros de Souza, relatou que a vizinha afirmou ter visto o rapaz mexer no corpo antes da chegada das autoridades.
“Ele tirou o corpo dela e deixou a cabeça para fora do banheiro. Era uma cena toda montada.”
A perícia constatou que o corpo e o cinto que o prendia haviam sido removidos de suas posições originais. O celular da advogada estava ao lado.
No dia do ocorrido, Raphael disse à polícia que Viviane não aceitava o fim do relacionamento, o que, segundo ele, poderia explicar o suposto suicídio.
O último encontro
Imagens das câmeras de segurança do prédio mostram o que teria sido o último encontro entre Viviane e Raphael, no dia anterior à morte. Eles se encontraram duas vezes. Na última, a advogada desce do carro e caminha em direção à portaria. Raphael a segue e tenta abraçá-la, mas ela claramente tenta se afastar. Já na portaria, ele insiste em abraçá-la, e ela permanece imóvel, sem retribuir o gesto.
Entre esse encontro e a descoberta do corpo, se passaram 30 horas. É nesse intervalo que a Polícia Civil tenta reconstruir os acontecimentos.
Apesar das contradições e questionamentos, Raphael ainda não é formalmente tratado como suspeito.
“Vamos verificar se existe algum comportamento que o coloque nessa condição”, afirmou o delegado Caio Albuquerque.



















