ESCÂNDALO DOS CONSIGNADOS

Presidente do Sinpaig denuncia “assédio judicial”, aponta tentativa de silenciamento e mantém acusações sobre consignados

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O presidente do Sindicato dos Profissionais da Área Meio do Poder Executivo de Mato Grosso (Sinpaig-MT), Antônio Wagner, publicou neste fim de semana um vídeo nas redes sociais no qual afirma estar sendo alvo de uma “campanha pesadíssima de difamação” e de um suposto “assédio judicial” após o sindicato tornar públicas denúncias de irregularidades no sistema de empréstimos consignados que atingem servidores estaduais. Segundo ele, as pressões partiriam de integrantes do Governo do Estado de Mato Grosso e de empresas do setor financeiro citadas nas apurações conduzidas pela entidade.

De acordo com Wagner, o conflito se intensificou após uma assembleia geral do Sinpaig em que foram apresentados resultados de auditorias internas realizadas ao longo de cerca de um ano e meio, apontando o que ele chama de “máfia dos consignados”. O dirigente relatou que, na ocasião, estiveram presentes representantes da empresa Capital Consig e um coronel da Polícia Militar reformado que já ocupou cargo de secretário estadual, episódio interpretado por ele como tentativa de intimidação.

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Após a divulgação das denúncias à imprensa, o presidente do Sinpaig afirma ter sido alvo de três interpelações criminais, uma ação por danos morais e responder, ainda, a processo criminal por injúria e difamação. Entre os citados está o secretário de Gestão e Planejamento do Estado, Basílio Bezerra, que, segundo Wagner, teria ingressado com ação judicial após declarações públicas do sindicalista sobre suposta responsabilidade administrativa na fiscalização dos contratos de consignação. O governador Mauro Mendes também é mencionado no contexto da atuação de ex-integrantes do governo citados nas medidas judiciais.

No vídeo, Wagner afirma ainda enfrentar resistência dentro do próprio movimento sindical. Ele sustenta existir ação judicial que o impediria de participar ativamente de atos institucionais e reuniões, o que classifica como prática antissindical e tentativa de enfraquecer sua atuação tanto no Sinpaig quanto na Federação Sindical dos Servidores Públicos. O dirigente também criticou a tramitação do PLC-06 na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, projeto que, segundo ele, limita a dois mandatos consecutivos a permanência de dirigentes sindicais, classificando a proposta como uma “lei da mordaça”.

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Outro ponto citado foi o caso envolvendo a ex-dirigente do Procon Estadual, Cristiane, que, conforme Wagner, teria sido alvo de pedido de sindicância após atuação rigorosa na apuração de contratos de consignação. Segundo o sindicalista, a representação teria sido arquivada pelo Ministério Público Estadual.

Ao final, Antônio Wagner afirmou que o Sinpaig possui ações civis públicas em andamento e que pretende colaborar com o Ministério Público Federal e a Polícia Federal para aprofundar as investigações sobre o que chama de “mega esquema” envolvendo empréstimos consignados no Estado. “Não vão nos calar, não vão nos intimidar”, declarou. Até o fechamento desta matéria, o Governo do Estado e os citados não haviam se manifestado. O espaço permanece aberto para posicionamentos.

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