A força que move a economia de Mato Grosso está na estrada. Desde o último sábado (21), a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) lidera o Estradeiro da BR-163 — Do Campo ao Porto, uma expedição técnica que reúne cerca de 20 presidentes de sindicatos rurais para percorrer, in loco, a principal rota de escoamento da produção mato-grossense rumo aos portos do Pará.
O objetivo é claro: transformar a vivência diária dos produtores em diagnóstico técnico e propostas concretas para melhorar a trafegabilidade da BR-163, corredor estratégico que liga o coração do agronegócio aos terminais do Arco Norte.
A comitiva saiu de Cuiabá com destino a Matupá e, na sequência, segue até a região do KM 30, já no Pará, observando os trechos mais críticos da rodovia — pontos com desgaste acentuado, falhas na pavimentação, buracos, atoleiros e áreas de risco agravadas pelo intenso tráfego de caminhões carregados de grãos.
O roteiro inclui ainda visitas técnicas aos portos de Miritituba e Santarém, com passagem por estações de transbordo e pela Companhia Docas do Pará, conectando a etapa rodoviária ao sistema portuário responsável por escoar milhões de toneladas de soja e milho pelo Rio Tapajós.
Diagnóstico para pressionar por investimentos
O presidente da Famato, Vilmondes Tomain, reforça que o Estradeiro vai além de uma simples visita institucional. A proposta é reunir dados, imagens e relatos que fundamentem reivindicações junto ao Poder Público.
Segundo ele, o agronegócio responde por 56% do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso — índice que evidencia o peso do setor na economia estadual e a necessidade de um olhar estratégico sobre infraestrutura logística.
A precariedade em trechos da BR-163 impacta diretamente o custo do frete, aumenta o risco de acidentes, provoca atrasos no embarque e reduz a competitividade da produção brasileira no mercado internacional. Em períodos de safra, o fluxo intenso de caminhões potencializa os gargalos, pressionando ainda mais uma rodovia que se tornou vital para o desenvolvimento regional.
Armazenagem como parte da solução
Além da melhoria da rodovia, a Famato defende o fortalecimento da capacidade de armazenagem nas propriedades rurais. A construção de armazéns, inclusive de menor porte, é apontada como mecanismo para reduzir a concentração de embarques no pico da colheita, diminuindo a pressão sazonal sobre as estradas.
A estratégia combina infraestrutura rodoviária eficiente com planejamento logístico, criando condições para que o produtor tenha maior autonomia e previsibilidade na comercialização.

Integrantes da comitiva que participam do Estradeiro na BR 163 rumo aos Portos do Pará
Um recado direto ao poder público
O Estradeiro da BR-163 coloca em evidência uma cobrança recorrente do setor produtivo: sem logística eficiente, não há competitividade sustentável. A rodovia é mais que uma via de transporte — é a artéria que sustenta empregos, arrecadação e desenvolvimento em Mato Grosso e no Brasil.
Ao percorrer cada quilômetro da estrada até os portos do Pará, a caravana transforma problemas históricos em pauta concreta, reforçando que investir em infraestrutura não é despesa, mas condição básica para garantir crescimento econômico, segurança viária e integração nacional.























