O couro chega bruto à bancada. Aos poucos, ganha cortes precisos, acabamento, pintura e identidade. Esse é o ‘roteiro’ da oficina de confecção de cintos de couro, uma capacitação oferecida pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT) e que percorre diferentes municípios do estado para levar conhecimento prático e incentivar a atividade artesanal como alternativa de renda extra.
Um dos responsáveis pela capacitação, o instrutor Marcos Mendonça explica que a proposta é ensinar todas as etapas da confecção do cinto, desde o couro em estado bruto até o acabamento final. O curso integra o portfólio de capacitações do Senar MT e é realizado a partir da demanda apresentada pelos Sindicatos Rurais.
Segundo Marcos, ao fim da oficina os participantes saem aptos a produzir uma peça completa. “O aluno aprende desde pegar uma peça de couro crua até fazer todo o acabamento do cinto. Quem nunca teve contato leva cerca de quatro horas para concluir, mas, com prática, é possível produzir uma peça em aproximadamente uma hora”, afirma.
Além da técnica, a capacitação busca mostrar que o investimento inicial para começar a produzir é acessível. Marcos destaca que poucos equipamentos são necessários para confeccionar um cinto de qualidade.
“Com uma faca, um compasso e um vazador já é possível produzir um cinto. Depois entram detalhes como pintura, bordados e até a personalização com o nome do cliente”, explica.
Para o instrutor, o conhecimento adquirido pode abrir portas para o empreendedorismo. “Sempre incentivo os alunos a enxergarem essa atividade como uma oportunidade de negócio. O cinto de couro tem mercado. Não precisa ser pecuarista para consumir esse produto; basta gostar do estilo”, conta.

Outro diferencial é que cada participante leva para casa a peça produzida durante a oficina, permitindo colocar em prática o aprendizado desde o primeiro contato com o artesanato.
Neste mês de julho, uma das capacitações ocorreu durante a 58ª Expoagro, em Cuiabá, no último dia 17. Na ocasião, participantes estiveram no estande do Sistema Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Sistema Famato) para aprender mais sobre a atividade que pode se transformar em fonte de renda ou em produção para uso próprio.
O estudante do 9° período de Zootecnia, Pedro Ryan participou da oficina pela primeira vez da capacitação. Ele conta que sempre teve interesse pelo trabalho em couro, mas ainda não havia encontrado uma oportunidade para aprender.
“O Senar oferece cursos que só agregam conhecimento. Além da prática, existe toda a troca de experiências com o instrutor e com os outros participantes”, diz.

Durante a oficina, Pedro afirma que passou a enxergar de outra forma o trabalho necessário para transformar o couro em um produto acabado.
“Essa foi a minha primeira capacitação feita pelo Senar, e a gente passa a valorizar todo o processo, desde o couro do animal até a produção da peça. Dá vontade de continuar fazendo, tanto para uso próprio quanto para comercializar”, revelou.
Quem também participou foi Marly Bahri, de Jaciara. Atualmente ela reside em Cuiabá para cursar agromia na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), e conta que já havia feito outro curso envolvendo couro e decidiu aproveitar a oportunidade para retomar o aprendizado.
Ela destaca que a possibilidade de personalizar cada peça é um dos grandes diferenciais da oficina. “Você consegue fazer um cinto do seu jeito, com o seu estilo e até colocar o seu nome. Isso torna cada peça única”, relata.
Já Eliene dos Santos, assistente social em Várzea Grande, participou pela primeira vez após um convite da sobrinha. A experiência despertou uma nova perspectiva profissional.
Ela acredita que a técnica pode contribuir inclusive para projetos sociais voltados à autonomia financeira. “É um trabalho que exige prática, mas não é complicado. Pensei até na possibilidade de levar esse conhecimento para mulheres vítimas de violência, porque pode ser uma alternativa de geração de renda”, ressaltou.

As oficinas são organizadas conforme a procura nos Sindicatos Rurais. De acordo com o mobilizador do sindicato de Cuiabá, Jazão Silva, os cursos em couro estão entre os mais solicitados pelo público.
“Essas oficinas acontecem porque os próprios participantes pedem. Nós fazemos o levantamento da demanda e incluímos na programação.”
De acordo com ele, o trabalho artesanal possui alto valor agregado e desperta interesse de pessoas com diferentes perfis, desde produtores rurais até estudantes e profissionais ligados ao agro.
“É uma atividade que pode se transformar em profissão. O curso apresenta as técnicas básicas e serve como porta de entrada para quem deseja produzir ou até montar um negócio.”
Jazão também destaca que a realização da oficina durante a Expoagro ampliou o acesso do público às capacitações oferecidas pelo Senar MT.
Foi uma oportunidade de aproximar ainda mais as pessoas do trabalho desenvolvido pelo Senar. Muitos conheceram a oficina durante a feira e já demonstraram interesse em participar das próximas edições”, diz.



















