FRAUDES DIGITAIS

Jovem autodidata é apontado como líder de esquema que invadiu sistema da Polícia Civil e movimentou milhões

O mandado de prisão contra o suspeito foi cumprido nesta terça-feira (21) dentro da Penitenciária de Cascavel (PR), onde ele já estava preso desde setembro.

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Um jovem de aproximadamente 20 anos, é apontado pela Polícia Civil de Mato Grosso como o líder de um sofisticado esquema de crimes cibernéticos responsável por invadir sistemas institucionais, roubar dados de veículos e praticar uma série de fraudes financeiras pela internet. Autodidata e sem formação técnica, o rapaz, natural de Francisco Alves (PR), teria aprendido sozinho a operar programas de invasão e manipulação de dados por meio de vídeos e tutoriais disponíveis em plataformas como o YouTube.

O mandado de prisão contra o suspeito foi cumprido nesta terça-feira (21) dentro da Penitenciária de Cascavel (PR), onde ele já estava preso desde setembro, após ser flagrado em uma boate no município de Toledo utilizando cartões de crédito clonados para comprar camarotes e bebidas de luxo. O caso levantou suspeitas do proprietário do estabelecimento, que acionou a polícia.

Segundo o delegado Gustavo Godoy, da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), o jovem não possuía formação profissional nem histórico criminal.

“Sem nenhuma experiência, não tinha passagem policial nenhuma, de classe média baixa, uma pessoa comum. Não tinha nenhuma formação, não era uma pessoa que tinha um grande conhecimento de informática. Ele aproveitou esses grupos do Telegram e do WhatsApp para agir de forma ilícita”, explicou.

As investigações apontam que o acusado teve acesso a logins e senhas de um servidor da Polícia Civil de Mato Grosso e, com essas credenciais, conseguiu entrar no sistema interno da corporação. A partir daí, obteve dados sigilosos, como números de chassis de veículos apreendidos, roubados ou furtados, que eram usados para “esquentar” automóveis, adulterando informações e emitindo documentos falsos para revendê-los de forma fraudulenta.

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Com o avanço das investigações, os agentes descobriram que o grupo liderado por pelo jovem expandiu suas atividades para diversas modalidades de crimes cibernéticos, incluindo clonagem de cartões de crédito, comércio de dados pessoais, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro por meio de apostas esportivas e criptomoedas.

De acordo com a Polícia Civil, os criminosos criavam e administravam sites falsos, canais no Telegram e grupos no WhatsApp para intermediar as vendas de informações e coordenar as ações entre os integrantes do esquema. Parte dos valores arrecadados era lavada em plataformas digitais, simulando ganhos legais.

O delegado Gustavo Godoy destacou que o acesso irregular foi rapidamente detectado pelo setor de tecnologia da corporação.

“O próprio sistema da Polícia Civil identificou os acessos indevidos e bloqueou as credenciais comprometidas. Esses criminosos usaram dados de servidores que provavelmente não tiveram a devida cautela na guarda das senhas”, afirmou.

Com base nas provas reunidas, o Núcleo de Justiça do Juiz de Garantias de Cuiabá expediu 48 ordens judiciais que foram cumpridas nesta terça-feira (21) em 10 estados brasileiros. A terceira fase da Operação Código Seguro contou com sete mandados de prisão, 15 de busca e apreensão, 15 afastamentos telemáticos, além da retirada de três sites do ar, sete canais do Telegram e um grupo do WhatsApp. Também foi determinado o bloqueio de valores que somam R$ 5,9 milhões.

As ordens judiciais foram cumpridas nas cidades de São Paulo (SP), Francisco Alves (PR), Fortaleza (CE), Riachão (MA), Cabo Frio (RJ), Jaraguá do Sul (SC), Lauro de Freitas e Apuarema (BA), Manaus (AM) e Coronel Murta (MG). Nenhum mandado foi executado em Mato Grosso nesta fase.

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De acordo com a DRCI, as duas fases anteriores da operação — realizadas em julho e novembro de 2024 — já haviam desarticulado parte da estrutura criminosa que atuava em diversos estados, identificando servidores de hospedagem, grupos de comunicação e intermediadores de pagamentos usados pelo grupo. A partir dessas ações, foi possível rastrear e localizar o jovem considerado o principal articulador da rede.

O delegado Guilherme Fachinelli, titular da DRCI, afirmou que o caso representa um marco nas investigações de crimes cibernéticos conduzidas pela Polícia Civil mato-grossense.

“A Operação Código Seguro demonstra a capacidade técnica da Polícia Civil em rastrear, identificar e desarticular organizações criminosas que atuam em larga escala na internet. Nosso objetivo é proteger dados sensíveis e garantir a integridade das instituições e da sociedade”, disse.

Segundo ele, a apuração também revelou a importância da segurança digital dentro dos órgãos públicos, uma vez que o vazamento de senhas e credenciais foi o ponto de partida para o esquema.

“A cada fase da operação conseguimos reforçar mecanismos de proteção e conscientização, tanto entre os servidores quanto entre os cidadãos, sobre o uso responsável e seguro das informações”, completou Fachinelli.

Com o cumprimento das ordens judiciais e a prisão do principal investigado, a Polícia Civil acredita ter desarticulado o núcleo mais ativo da organização criminosa. As investigações, porém, continuam para identificar possíveis comparsas e rastrear o destino dos valores movimentados nas fraudes.

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