Familiares da adolescente Emelly Azevedo Sena, de 16 anos, assassinada estava grávida, protestaram nesta quarta-feira (19) em frente ao Fórum de Cuiabá. Eles pedem justiça após a decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que determinou que a ré confessa, Nataly Helen, passe por exame de sanidade mental antes de seguir para o júri.
A mãe da adolescente, Ana Paula Azevedo, disse que enfrenta diariamente a dor da perda e criticou a forma como o caso vem sendo conduzido. Com muita revolta, ela afirmou que não aceita que a acusada seja tratada como alguém incapaz. Segundo Ana Paula, a filha estava feliz e animada com a chegada da bebê. Ela lembrou que Emilly estava nos últimos meses da gravidez e fazia planos para a nova fase da vida.
“Busco justiça pela minha filha, que foi arrancada de mim aos 16 anos e ela estava gestante, aguardando essa criança, muito ansiosa, esperançosa, feliz, com a fase final da gravidez e teve o péssimo encontro de encontrar essa mulher, que eu não gosto nem de falar o nome dela, que é uma pessoa, não é uma pessoa, é um monstro, que fez essa barbaridade, coisas que a gente vê só em filme de terror”, declarou Ana Paula a jornalistas na frente do Fórum nesta quarta.
A família também contesta a decisão judicial que atendeu ao pedido da defesa de Nataly para realização de exame psicológico. Para eles, a medida atrasa a responsabilização da acusada. A irmã da vítima, Helda Azevedo, disse que os direitos da família não estão sendo considerados. Ela questionou como fica o direito da mãe de ter a filha de volta e o direito de Emilly de criar a própria filha.
“Nós viemos pedir primeiramente para Deus, para Nossa Senhora e para os homens da lei que façam com que a justiça seja feita. Nós perdemos nossa paz. Não tem um dia que não sofremos a perda da minha irmã, uma menina tão bondosa e alegre, que encantava onde passava”, disse Helda à impresna.
A pede que a Justiça trate o caso com rigor. Eles afirmam que a jovem era querida e tinha uma vida pela frente, interrompida de forma brutal. A família relatou que a dor é diária e que não há um dia em que não revivam o crime.
Relembre o caso
De acordo com as investigações, o crime ocorreu no dia 12 de março. Emilly saiu de casa no bairro Eldorado, em Várzea Grande, para buscar doações de roupas. Ela foi atraída por Nataly até uma residência no Jardim Florianópolis, em Cuiabá. No local, a suspeita conversou com a adolescente e, em determinado momento, a atacou e a estrangulou até que ficasse inconsciente. Com a vítima ainda com vida, Nataly cortou a barriga da jovem e retirou o bebê.
A suspeita estava fingindo há meses estar grávida. Após retirar a criança, enterrou Emilly em uma cova rasa no quintal. Depois, apresentou o bebê ao marido e a conhecidos dizendo que havia dado à luz em casa. Horas depois, procurou atendimento no Hospital Santa Helena.
Os médicos desconfiaram da versão porque ela não apresentava sinais de parto. Exames ginecológicos confirmaram que não havia passado por gestação. A Polícia foi acionada.
Enquanto isso, a família de Emilly procurava a adolescente. Com o avanço da investigação, policiais localizaram o corpo e descobriram a sequência dos fatos.
A DHPP prendeu Nataly em flagrante no dia seguinte. Ela confessou o crime, dizendo que fez porque queria um filho. A mulher já tem três crianças.
No total, quatro pessoas foram detidas no início das investigações, incluindo o casal que levou o bebê ao hospital. Após análise, a Polícia concluiu que apenas Nataly participou do crime. Os demais foram liberados.
No protesto desta quarta-feira, a mãe de Emilly também criticou o argumento de que a acusada teria problemas psicológicos. Ela afirmou que conhece pessoas com transtornos mentais que nunca fizeram mal a ninguém e disse que a acusada deve ser responsabilizada.
Ana Paula agora cuida da neta, Liara, filha de Emilly. Ela relatou que tenta oferecer à bebê uma rotina normal, mas que a situação é dolorosa porque a neta deveria estar sendo criada pela própria mãe. A responsabilização da acusada, segundo ela, é fundamental para que a família encontre algum tipo de paz.
A mãe ainda contou que a família da acusada não a procurou para pedir desculpas, apesar de terem se manifestado pela televisão.
A família lembrou que Emilly fez aniversário em outubro e que esperava ansiosamente pela menina. Em uma das últimas conversas, a adolescente comentou que no ultrassom a bebê já aparecia com cabelo, e que estava radiante com a descoberta.
A família afirma que continuará se mobilizando até que o caso avance e a Justiça seja feita. Eles dizem que nada vai reparar a perda, mas que não podem aceitar que a brutalidade cometida contra Emilly seja tratada com dúvidas ou relativizações.























