Especial para CN
O ex-deputado estadual Paulo Sérgio da Costa Moura, conversou com exclusividade com o Cuiabá Notícias e fez uma análise crítica e experiente do atual cenário político no estado. Para ele, o processo eleitoral se tornou mais complexo nos últimos anos.
Aposentado e afastado da política há anos, Paulo Moura ainda é reconhecido no meio político pela competência com que exerceu seus mandatos. Iniciou-se na vida pública em 1972, ocasião que ocupou cargo de destaque na Codemat e, posteriormente, no Departamento de Obras de Mato Grosso. Elegeu-se deputado estadual nas eleições de 1990 e 1994. Durante sua atuação na Assembleia Legislativa, chegou a ocupar a função de primeiro secretário e teve papel de destaque na formulação de projetos de lei relevantes para o estado.
“Além de legislatura, atuei muitos anos como consultor legislativo na Assembleia. Atendi deputados de todos os partidos. Isso me deu uma visão ampla do processo político e das dificuldades que foram crescendo com o tempo”, relatou.
Na avaliação de Moura, a legislação atual imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), como o fim das coligações proporcionais e a exigência da cota de gênero, dificultou a formação de chapas, especialmente para deputados estaduais e federais.
“É muito mais difícil hoje. Os partidos precisam preencher 30% de candidaturas femininas, o que é considerado difícil porque são poucas as mulheres que querem entrar na política, e isso, junto com o fim das coligações, desestimula a participação. Muita gente não quer entrar só pra ‘fazer volume’. O processo ficou mais técnico e menos atrativo”, analisou.
Segundo ele, há uma crise de representatividade. “As pessoas estão desmotivadas. O problema nacional reflete no estado. Hoje, participar da política virou quase um sacrifício”, apontou.
Ainda é cedo para definições
Questionado sobre os caminhos das eleições de 2026, Moura acredita que as definições das candidaturas mais sólidas ainda vão demorar, especialmente por conta da janela partidária que abre no início de 2026.
“Antes disso, muita coisa pode mudar. Está tudo muito indefinido. A movimentação dos bastidores é intensa, e os grupos ainda estão tentando entender qual rumo tomar”, analisou.
Paulo Moura também comentou sobre a movimentação em torno da possível candidatura do governador Mauro Mendes ao Senado, o que, segundo ele, pode causar um racha dentro da base aliada.
“Se Mauro resolver disputar o Senado, vai ser uma briga homérica. Aí entra o dilema: ele apoia o candidato do partido ou segue o próprio caminho? Tem até rumores de que ele migraria para o PL, partido que ele ajudou a fundar”, afirmou.
Ainda segundo o ex-deputado, o atual governador exerce forte influência na política estadual por conta da boa gestão financeira e da entrega de obras, o que reforça seu capital político.
“Mauro está muito forte. A arrecadação aumentou, ele tem usado bem os recursos e está conseguindo realizar muitas obras. Isso pesa na hora de compor uma chapa majoritária”, completou.
A primeira-dama Virginia Mendes também foi mencionada como peça central nas articulações do governador.
“Ela está em todos os eventos, lança programas com o Mauro, é muito presente. Isso mostra que ela tem força, seja para apoiar ou até para disputar algo”, destacou Moura.
Em contrapartida, a deputada estadual Janaína Riva surge como um dos nomes mais fortes da oposição e possível candidata ao Senado, o que pode tensionar ainda mais o ambiente político.
“Ela é muito determinada. Seja onde ela estiver, será protagonista. Não sei se ela vai pelo MDB, mas é uma figura muito forte. A disputa entre ela e Mauro pode incendiar o cenário”, pontuou.
Nova geração
Entre os nomes da nova geração, Moura destacou o trabalho de Max Russi, deputado estadual e atual presidente da Assembleia Legislativa.
“Max é muito preparado, vem fazendo um trabalho de vanguarda. Arrumou o PSB, elegeu deputado, prefeito, vereadores… Ele pode surpreender, sim. Se não for agora, será em breve”, disse.
“É um político que tem preenchido espaços. Está articulado, tem presença e estrutura”, resumiu.
Moura finaliza com um tom de cautela, mas também com um chamado à participação política.
“A política hoje é muito mais técnica e pesada. Mas quem tem experiência, quem conhece o processo, precisa contribuir. Senão, vamos continuar sendo governados por improviso”, concluiu.
























