A delegação mato-grossense de parajiu-jitsu formada por paratletas e atletas da chamada inclusão reversa embarcou nesta semana rumo a Bangkok, na Tailândia, onde participa de competições internacionais de parajiu-jitsu. Após as disputas no país asiático, o grupo seguirá para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, para representar o Brasil em torneios marcados entre os dias 12 e 15 de novembro.
A equipe é composta por atletas de Barra do Garças, Cuiabá, Canarana, Porto Alegre do Norte e Paranatinga, além de outros sete brasileiros que se juntam à seleção nacional. Com histórias de superação e conquistas, os competidores de Mato Grosso se tornaram símbolo de um esporte que tem mudado vidas e ampliado o espaço da inclusão no tatame.
O mato-grossense Arthur Rezende, faixa roxa e único paratleta de Porto Alegre do Norte, leva na bagagem a missão de representar sua cidade com orgulho e abrir caminhos para novos atletas com deficiência.
De Cuiabá, o faixa preta Kaike Angelim, multicampeão no jiu-jitsu convencional, encontrou no parajiu-jitsu um novo propósito após o acidente que o deixou paraplégico. Ao lado dele, o irmão João Angelim, faixa branca, transformou o esporte em instrumento de superação — o jovem enfrentou várias cirurgias desde o nascimento e hoje se destaca pela determinação dentro dos tatames.
Outro destaque é João Pedro Caldeira, de Barra do Garças, faixa azul e campeão mundial em Abu Dhabi em 2024. Portador de paralisia cerebral, ele é exemplo diário de disciplina e inspiração para os demais colegas de equipe.
De Canarana, o poliatleta e faixa preta Mário Edson “Cowboy”, fundador da equipe Cowboy Jiu-Jitsu, volta ao circuito internacional após conquistas em diferentes modalidades esportivas.
A delegação também conta com a campeã mundial Suiany Linhares, faixa azul, de Barra do Garças, que fez história ao se tornar a primeira brasileira medalhista no caminho paralímpico. Desta vez, ela participará exclusivamente das disputas em Abu Dhabi.
Além dos paratletas, o grupo leva representantes da categoria Inclusão Reversa — modalidade que reúne atletas sem deficiência que treinam e competem lado a lado com paratletas. A proposta reforça valores de empatia, respeito e integração.
Participam dessa categoria Joshua Presoto, Felipe Espanholi, Isabela Eduarda Landislau, Julia, Larissa e Jamily Cavalcante, todos de Barra do Garças.
A equipe é liderada por Antônio Vitor, faixa marrom e presidente da Associação Mato-grossense de Parajiu-Jitsu Paradesportivo (AMTJJP), responsável pela coordenação técnica e logística da delegação.
Segundo o presidente da Federação Brasileira de Jiu-Jitsu Paradesportivo (FBJJP), Elcirley Silva, Mato Grosso vem se consolidando como referência nacional na formação de atletas e professores especializados no parajiu-jitsu.
“O nosso projeto é usar o laboratório de Barra do Garças, localizado na Academia Gracie Barra, para capacitar professores e ampliar o acesso. O parajiu-jitsu tem salvado vidas, atendendo pessoas com mais de 26 tipos de deficiência. É também uma poderosa ferramenta contra a depressão e a ansiedade”, afirmou o dirigente.
Apoio e estrutura
A delegação mato-grossense viajou acompanhada por profissionais das áreas técnica, médica, logística e de comunicação. A viagem conta com o apoio do Governo do Estado de Mato Grosso, por meio de programas de incentivo ao esporte e à inclusão social.
Mais do que medalhas, o grupo leva ao cenário internacional uma mensagem de resiliência e esperança. Cada atleta representa, além do próprio talento, o resultado de um trabalho coletivo que tem transformado o paradesporto em instrumento de cidadania e saúde mental.






























