O dia que Lewis Hamilton levou Brad Pitt para dar uma voltinha em um carro de Fórmula 1: “Assustou o Brad”

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G1

Durante a seleção de elenco para “Top Gun: Maverick”, Lewis Hamilton conseguiu o contato do diretor com Tom Cruise e enviou um e-mail, do nada, pedindo para realizar um teste. Joseph Kosinski, também diretor do novo filme “F1”, então, o considerou para o papel de Fanboy (um dos pilotos), mas Hamilton subestimou o tempo de comprometimento necessário. Estava no meio da temporada, disputando o título, e não poderia largar tudo para as gravações. Mesmo assim, eles mantiveram a porta aberta.

No fim de 2021, Kosinski e o produtor Jerry Bruckheimer se reuniram com Hamilton no clube San Vicente Bungalows (o piloto e Bruckheimer são membros) e o convenceram a entrar no projeto para dar credibilidade ao roteiro e facilitar o diálogo com a cúpula da F1. Todo mundo envolvido precisaria ser “indiscutivelmente perfeito”, Kosinski lembra, para convencer um estúdio a bancar o plano. Vários se interessaram, mas a Apple, segundo ele, “entendeu plenamente a visão” (leia-se: topou colocar o dinheiro).

A ideia, caso “F1” fosse viabilizado, era integrar totalmente a produção a uma temporada real. Eles se tornariam, para todos os efeitos, a “11ª equipe” em uma categoria de dez grupos — transportando seu pit stop personalizado, carros e staff de um GP para o outro, como qualquer outro time. Filmariam com os pilotos e equipes reais circulando naturalmente ao fundo. Colocariam seus veículos na pista, alinhados com os de verdade. Subiriam ao pódio, caso a equipe azarona APXGP de Pitt conseguisse um milagre.

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Para a F1, uma integração dessas consistia em um pedido ousado — uma invasão total no dia a dia de um esporte avaliado em US$ 22 bilhões —, mas vinha com uma audácia que só Hollywood poderia oferecer. Em fevereiro de 2022, Kosinski, Bruckheimer e Pitt voaram para Londres para apresentar o projeto a Stefano Domenicali, presidente e CEO da F1. “Top Gun: Maverick” ainda não havia estreado, mas Kosinski conseguiu exibir o longa em IMAX para Domenicali e Pitt três meses antes, em um cinema do outro lado da rua. “Acho que foi aí que Stefano percebeu o potencial”, relata Kosinski. E, com Hamilton envolvido, a F1 sabia que estava em boas mãos.

Só faltava resolver uma questão: Hamilton precisava ter certeza de que Pitt sabia mesmo dirigir. No início de 2022, ele se encontrou com o ator e Kosinski no Porsche Experience Center em Los Angeles. Hamilton não entrava em um carro de corrida desde o polêmico duelo com Max Verstappen em Abu Dhabi, um mês antes, em um dos mais infames finais de temporada na história do esporte.

Enquanto Pitt acelerava um Porsche 911 GT3 na pista, Hamilton o observava atentamente, e logo percebeu que ele se safava bem. Aquilo era familiar: Hamilton, que cresceu em um bairro simples, costumava ensinar caras ricos a pilotar veículos de corrida durante a adolescência, em um centro de treinamento parecido com o de Los Angeles. Depois de um tempo, Hamilton entrou no automóvel e disse: “Brad, deixe-me levá-lo para dar uma volta”.

Kosinski lembra: “Vi Lewis levar Brad pelo circuito a, sei lá, o dobro da velocidade permitida. Eles desapareceram, e só vi uma nuvem de poeira subindo. Quando voltaram, a porta se abriu, Brad meio que pulou do carro suando e Lewis apareceu com um sorriso de orelha a orelha. Obviamente, ele fez algo que assustou Brad, mas acho que quis dar a ele um gostinho do que é estar no limite. Acho que, naquele momento, Brad ficou completamente viciado”.

O melhor de todos os tempos

 

Durante a temporada de Fórmula 1 de 2022, Kosinski e o roteirista Ehren Kruger, de “Maverick”, enviavam páginas do roteiro a Lewis Hamilton, não importava onde ele estivesse no mundo. “Sou disléxico”, conta Hamilton, “então, ler um roteiro de 130 páginas repetidamente foi um desafio no tempo de que eu dispunha. Mas, se faço algo, faço 100%.”

Hamilton, o piloto com mais vitórias na história da Fórmula 1, tinha uma tarefa simples, mas crucial: desmembrar cada cena de corrida da trama. Por exemplo, se o roteiro sugerisse que o personagem de Idris ultrapassasse alguém em um trecho impossível, Hamilton apontava: “Aqui não, mas ali seria plausível”. Ao longo da edição, Kosinski enviava cortes de sequências e o atleta notava detalhes como “o carro está na curva 5 em quarta marcha, mas o som é da curva 6 em quinta”.

Na trama, Sonny Hayes (Pitt) se junta à equipe APXGP quando ela está em último lugar, com um “carro lixo”. Como o time não pode vencer pela velocidade, Pitt usa truques estratégicos para explorar as regras e ganhar vantagem. São manobras tão inteligentes que só poderiam vir de quem traz dezenove temporadas e 360 GPs no currículo. “Eu precisei ser um estrategista, realmente, em todas as sequências de corrida”, afirma Hamilton.

Enquanto ajudava Kosinski e Kruger a desenvolver os elementos do roteiro, Hamilton também se envolveu profundamente no desenvolvimento dos personagens e no processo de seleção do elenco. “Para garantir diversidade, para que a obra realmente refletisse o mundo lá fora”, explica o piloto.

“Espero que crianças assistam e pensem: ‘Meu Deus, eu também posso me tornar uma dessas pessoas que aparecem ali’.” Mesmo que algumas funções na realidade ainda não tenham alcançado o que se retrata na tela. “Coisas como ter uma engenheira de corrida realmente na liderança da história” — a diretora técnica da APXGP é vivida pela indicada ao Oscar Kerry Condon — “é algo que você não vê com frequência.”

Durante a pré-produção, Hamilton voou para Los Angeles a fim de participar da seleção do elenco. “De repente, estou sentado no escritório do Jerry. Que lenda! Ele, inclusive, tem uma coleção incrível de canetas. Na época, Brad era o único confirmado, Damson Idris ainda não. Pude participar ativamente da seleção, analisando papéis com perfis de todos os atores e atrizes e assistindo a seus testes de cena. Foi uma experiência de aprendizado real para mim: ver em detalhes o que acontece nos bastidores da produção de um filme.”

Hamilton enfatiza que não se trata do típico caso de “atleta turistando em Hollywood”. Era algo profundamente significativo para ele: “Eu assisto a um filme todo santo dia”. “A qual você assistiu ontem à noite?”, pergunto. “Troia.”

No longa, Pitt e Idris não pilotam carros de F1 legítimos propriamente ditos. São máquinas “frankensteinizadas”, com motores menos potentes da F2 e carrocerias desenhadas pela Mercedes para se assemelharem na superfície a modelos de F1. Hamilton chegou a conduzir os carros do filme? “Nunca”, responde ele. “Depois que você pilota um carro de F1 de verdade, não há motivos para voltar a algo inferior.”

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