“A cobrança para ser mãe vem de muitos lados. E pode ser cruel”, diz Mari Rios, em nova coluna na CRESCER

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Crescer/G1

Existem momentos em que a vida pede silêncio. Não a ausência de som, mas a presença de algo que ainda não sabemos nomear. Um intervalo entre o que fomos e o que ainda estamos nos tornando. Um espaço fértil. Sempre fui movida pela criação. Desde cedo, transformei ideias em arte, projetos em realidade, sonhos em caminhos possíveis. Cada álbum, cada personagem, cada texto que escrevi foi uma gestação. Com dores, entrega, coragem e muito amor.

 

E talvez por isso, quando o desejo de ser mãe surgiu, ele veio como tudo o que já me transformou: intenso, profundo, cheio de significado. Mas diferente das outras criações, esse sonho não depende só da minha vontade. Me tornei tentante. E isso não é apenas um termo. É um estado de espírito. Uma forma de existir entre a esperança e a frustração, entre o “ainda não” e o “será?”. É conviver com ciclos de expectativa e decepção, mas continuar acreditando.

 

No começo, eu achava que a felicidade só viria quando esse sonho se realizasse. Mas a vida me ensinou que existem outras formas de dar à luz. Que somos mães de tudo aquilo que criamos com amor e propósito. E que há muitas formas de gerar vida no mundo. Aprendi a olhar com carinho para os filhos que a vida já me permitiu ter. Meus projetos, minha arte, minhas escolhas como empreendedora, como mulher que cria, sustenta e transforma. Tudo isso nasceu de mim. E tudo isso me moldou.

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Ser mãe também é isso: é cuidar, é nutrir, é proteger algo maior que você. É amar antes de existir. É acreditar mesmo sem garantia. E cada mulher que se entrega à criação, seja ela qual for, já conhece esse amor. A cobrança para ser mãe vem de muitos lados. Da sociedade, da cultura, da gente mesma. E pode ser cruel. Mas hoje aprendi a respeitar meu tempo, meu corpo e meus processos. A me sentir inteira, mesmo enquanto espero. Sim, sigo tentando. Com fé, mas sem pressa. Com amor, mas sem exigência.

 

Porque encontrei alegria em ser quem sou agora. E aprendi que a felicidade não precisa morar no futuro. Ela pode florescer onde meus pés estão hoje. Se você também está nesse espaço do hiato, saiba que sua espera não é vazio, é potência. Você já é fonte, já é ventre, já é abrigo. Porque tudo o que nasce em você tem valor. E, sim, isso também é uma forma de maternidade.

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