AMEAÇA E INJÚRIA

Chefes do Socioeducativo são denunciados por ameaças e retaliação; Sejus anuncia PAD

publicidade

Uma denúncia contra a secretária-adjunta do Sistema Socioeducativo e Políticas sobre Drogas, Lenice da Silva Barbosa, e o superintendente do Sistema Socioeducativo, Jhonathan Vieira Santana, relata supostas ameaças, intimidações e retaliações contra servidores durante uma reunião com cerca de 40 gestores e líderes de plantão. Entre as declarações atribuídas aos dois estão ameaças de exoneração e abertura de Processo Administrativo Disciplinar (PAD), além das expressões “cobrir a cara de porrada” e colocar servidor “no lugar de um saco de boxe”.

As acusações também foram formalizadas na Polícia Civil. Uma servidora registrou o Boletim de Ocorrência nº 2026.320272 por ameaça e injúria. O documento foi registrado em 23 de setembro e aponta que os fatos teriam ocorrido em 12 de agosto, às 8 horas. Lenice e Jhonathan constam no BO na condição de suspeitos.

A denúncia, acompanhada do boletim de ocorrência, foi encaminhada ao VGN na tarde dessa quinta-feira (24.09).

Segundo o relato, a situação ocorreu durante uma reunião gerencial on-line convocada pela secretária-adjunta, com a participação do superintendente e de aproximadamente 40 gestores e líderes de plantão lotados nos polos do Sistema Socioeducativo.

Durante o encontro, conforme a denúncia registrada no BO, teriam sido utilizadas expressões como “traíra”, “desonestidade” e “falta de honra”. Os denunciados também teriam afirmado que quem não estivesse satisfeito com a forma de trabalho da atual gestão deveria deixar o cargo, fazendo referência à exoneração de servidores.

Os servidores relatam ainda terem sido intimidados em razão de outras denúncias envolvendo a gestão. “Cuidado com o que vocês falam da gestão”, teria sido uma das declarações feitas durante a reunião, segundo consta no boletim.

Leia Também:  Corpo de mulher é encontrado com marcas de tiros na zona rural

A denúncia aponta também suposta ameaça de abertura de PAD caso servidores não concordassem com decisões da gestão. As acusações incluem ainda declarações relacionadas à violência física atribuídas aos gestores.

“Cobrir a cara de porrada” e colocar o servidor “no lugar de um saco de boxe” estão entre as expressões relatadas à Polícia Civil.

Referência à eleição

Outro ponto da denúncia envolve uma declaração atribuída à secretária-adjunta durante a reunião. Segundo o relato, Lenice teria mencionado ser amiga da candidata a vice-governadora Gisela Simona (União) e insinuado que “agora terá mais poder ainda”.

Os denunciantes classificam o episódio como suposto assédio eleitoral. O boletim de ocorrência, no entanto, foi registrado pela Polícia Civil sob as naturezas de ameaça e injúria.

Conversas em grupo de WhatsApp

Conforme a denúncia, o episódio teria começado após conversas mantidas por servidores em um grupo de WhatsApp. Os participantes discutiam a conduta de um servidor que teria agredido a própria esposa e levantavam questionamentos sobre quais providências seriam tomadas pela gestão.

Segundo o relato, integrantes do grupo teriam demonstrado dúvidas sobre eventual responsabilização administrativa do servidor por ele ocupar cargo de coordenação.

A suspeita apresentada pelos denunciantes é de que algum participante tenha encaminhado prints das conversas à secretária-adjunta sem autorização dos demais integrantes. Essa versão também consta na narrativa apresentada à Polícia Civil.

Servidora denuncia retaliação

A denúncia relata ainda uma suposta retaliação direcionada a uma servidora após a reunião.

Segundo o boletim de ocorrência, em 19 de agosto, Jhonathan teria conversado pessoalmente com a funcionária e informado que as declarações feitas durante a reunião do dia 12 eram direcionadas a ela.

Leia Também:  Governo licita R$ 220 milhões em obras de infraestrutura em Mato Grosso

Na mesma ocasião, conforme a versão registrada na Polícia Civil, o superintendente teria comunicado que a servidora não permaneceria no cargo de chefe do Núcleo da Central de Vagas do Sistema Socioeducativo.

A exoneração foi publicada posteriormente com a expressão “a pedido”. A servidora, entretanto, afirma que nunca formalizou solicitação para deixar o cargo e atribui a retirada da função a uma retaliação.

O boletim apresenta uma inconsistência na data dos efeitos da exoneração: o documento registra “01 de setembro de 2022”, embora os fatos narrados sejam de 2026.

Após o registro na Delegacia Digital, a ocorrência foi encaminhada à 3ª Delegacia de Polícia de Cuiabá – Repressão a Crimes de Menor Potencial Ofensivo.

O registro do boletim formaliza as acusações apresentadas à Polícia Civil, mas não representa, por si só, comprovação dos fatos ou responsabilização dos gestores citados.

Outro lado

Procurada pelo VGN, a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT) informou que a Corregedoria vai apurar a denúncia.

“Em atenção à solicitação, informamos que a Secretaria de Estado de Justiça vai instaurar, por meio de sua corregedoria, um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para averiguar a denúncia e reafirma o compromisso de não compactuar com nenhum tipo de abuso de autoridade”, informou a Sejus.

A Secretaria não respondeu individualmente aos demais questionamentos encaminhados pelo VGN sobre as declarações atribuídas aos gestores, as circunstâncias da exoneração da servidora e a existência de eventual documento no qual ela tenha solicitado deixar o cargo.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade