Setembro nos convida a falar sobre um assunto que não deveria ficar restrito a um mês: a importância de cuidar da vida e da saúde emocional. O Setembro Amarelo amplia a conversa sobre prevenção do suicídio, mas também nos lembra da necessidade de escutar, acolher e reconhecer o sofrimento antes que ele se torne insuportável. Como psicóloga, acredito que falar sobre o que sentimos é uma forma de cuidado e pode ser o primeiro passo para buscar ajuda.
Ao longo da minha experiência profissional, tenho percebido que muitas pessoas chegam ao consultório quando a dor já ocupou um espaço muito grande na vida. Às vezes, ela aparece como ansiedade, tristeza, irritação, cansaço, dificuldade nos relacionamentos ou simplesmente como a sensação de que algo deixou de fazer sentido. Nem sempre conseguimos compreender imediatamente o que está acontecendo. E não precisamos ter todas as respostas para começar a olhar para dentro.
É nesse contexto que gosto de pensar na ideia de florescer. Não como uma obrigação de transformar todo sofrimento em algo positivo, mas como a possibilidade de aprender com aquilo que vivemos. A dor não deve ser romantizada e ninguém precisa passar por situações difíceis para amadurecer. Porém, quando conseguimos acolher uma experiência, compreender o que ela provoca em nós e buscar os recursos necessários para enfrentá-la, ela pode também abrir espaço para mudanças.
Muitas vezes, passamos tanto tempo preocupados com o que precisamos fazer e conquistar que nos esquecemos de perguntar como estamos. O SER acaba ficando em segundo plano diante das exigências do cotidiano. Quem eu sou? O que estou sentindo? Do que preciso? Quais escolhas estou fazendo por vontade própria e quais faço apenas para corresponder às expectativas dos outros? Essas perguntas podem parecer simples, mas exigem coragem para serem respondidas com honestidade.
O autoconhecimento não elimina os problemas da vida, mas pode nos ajudar a lidar com eles de maneira mais consciente. Também nos permite reconhecer limites, perceber padrões que se repetem, estabelecer relações mais saudáveis e compreender quando precisamos de ajuda. Às vezes, cuidar de si significa diminuir o ritmo. Em outras, significa dizer não, mudar uma escolha ou simplesmente admitir: “eu não estou bem e preciso conversar com alguém”.
Florescer, portanto, não significa estar bem o tempo todo. Significa reconhecer que a vida tem diferentes ciclos e que todos nós passamos por períodos de maior fragilidade. Há momentos em que avançamos; em outros, precisamos parar, respirar e cuidar das raízes. E pedir ajuda não diminui ninguém. Pelo contrário, pode ser uma demonstração de consciência e responsabilidade consigo mesmo.
Neste Setembro Amarelo, meu convite é para que possamos olhar para a saúde emocional com menos julgamento e mais humanidade. Que possamos perguntar verdadeiramente como o outro está e, também responder com sinceridade quando alguém nos perguntar. Porque, antes de qualquer mudança, existe uma pessoa que precisa ser vista, escutada e acolhida.
Talvez seja esse o verdadeiro sentido de florescer: não se tornar alguém que nunca sofre, mas aprender a não abandonar a si mesmo quando a vida atravessa um período difícil.
E você, como tem cuidado de si?
Catarina M. Theophilo – é psicóloga com mais de 30 anos de experiência. Atua como terapeuta com os Florais de Minas, integrando cuidado emocional e desenvolvimento humano em sua prática profissional.



























