A saúde das mulheres precisa ser cuidada em todas as fases da vida. Da adolescência à velhice, mudam o corpo, as necessidades e os riscos, mas permanece o direito à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento no momento certo. Em Mato Grosso, alguns indicadores mostram o tamanho desse desafio.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 930 novos casos de câncer de mama entre as mulheres mato-grossenses em 2026. Considerando todos os tipos de câncer, a projeção chega a 4.070 novos casos na população feminina do estado neste ano. Prevenir, diagnosticar precocemente e garantir a continuidade do tratamento precisam ser prioridades.
Outro indicador que merece atenção é a mortalidade materna. Dados preliminares da Secretaria de Estado de Saúde apontam que Mato Grosso registrou, em 2025, uma razão de 41,91 mortes maternas para cada 100 mil nascidos vivos, acima da meta estadual de 38. O indicador ajuda a avaliar as condições de acesso e de resposta da assistência durante o pré-natal, o parto e o puerpério.
A saúde da mulher, no entanto, não pode ser reduzida à maternidade ou à prevenção do câncer. O próprio Ministério da Saúde estabelece que o cuidado integral deve alcançar todas as fases da vida e incluir saúde ginecológica, sexual e reprodutiva, saúde mental, climatério e menopausa, além da prevenção, do tratamento e da recuperação da saúde.
É com essa compreensão que defendo a criação do Cartão da Mulher no SUS, para fortalecer o acompanhamento das mulheres da adolescência à velhice e ampliar o acesso aos cuidados necessários em cada fase da vida.
Olhar para a saúde nos leva a uma questão maior: a vida das mulheres não cabe em uma única política pública. A possibilidade de cuidar de si está relacionada às condições para estudar, trabalhar, ter renda, criar os filhos com apoio, acessar os serviços públicos e viver com segurança.
Uma mãe pode receber uma oportunidade de emprego e não ter com quem deixar o filho. Pode conseguir uma vaga em uma universidade ou em um curso profissionalizante e não ter uma rede de apoio que lhe permita estudar. Por isso, defendemos a ampliação de creches e escolas em tempo integral e de espaços de acolhimento para filhos de mães estudantes. Nenhuma mulher deveria precisar escolher entre estudar, trabalhar e cuidar dos filhos.
A educação tem ainda outra função fundamental. Escolas e seus profissionais podem contribuir para identificar sinais de violência e acionar a rede de proteção. Como educadora, acredito que preparar nossas instituições para reconhecer essas situações e atuar na prevenção significa proteger meninas e mulheres antes que diferentes formas de violência se agravem.
Também não existe liberdade plena sem autonomia econômica. Qualificação profissional, acesso ao emprego, crédito e oportunidades para empreender ampliam as possibilidades de escolha das mulheres. Nossa proposta Mulher Empreendedora parte desse princípio: capacitação, crédito e acesso ao mercado podem abrir caminhos para quem deseja construir ou ampliar o próprio negócio.
Para mulheres em situação de violência e sem renda, defendemos ainda o Renda Delas, um apoio financeiro temporário associado à qualificação e à conexão com oportunidades de trabalho. Sair de uma situação de violência não pode significar ficar sem condições de garantir o próprio sustento e o dos filhos.
A segurança completa essa rede. O projeto Mulher Livre, Mulher Viva prevê o fortalecimento das medidas protetivas, o monitoramento de agressores, o atendimento humanizado, Delegacias da Mulher funcionando 24 horas e a ampliação da Casa da Mulher, reunindo atendimento jurídico, psicológico, social e de saúde.
Existe ainda uma etapa sobre a qual falamos pouco: o dia seguinte. Depois da denúncia, da medida protetiva e do acolhimento, essa mulher precisa reconstruir a vida. Por isso, nossa proposta de recomeço articula proteção, renda, qualificação, emprego e acolhimento. O poder público precisa ajudar a abrir caminhos para que ela recupere sua autonomia.
É essa visão que queremos levar ao Senado. As políticas voltadas às mulheres precisam ser pensadas de forma integrada, com legislação, recursos e ações capazes de chegar aos estados e municípios. Afinal, a realidade das mulheres não é fragmentada e a resposta do poder público também não deveria ser.
Uma mulher livre precisa ter condições para fazer suas próprias escolhas. Saúde para viver, educação para avançar, renda para escolher e segurança para não ter medo. Esse é o compromisso que assumimos com as mulheres de Mato Grosso.
Guelda Andrade é mestra em Educação pela UFMT, especialista em Gestão Escolar, servidora da educação pública, dirigente nacional da CNTE e candidata a segunda suplente de Pedro Taques ao Senado.


























