O idoso José Carlos Gomes de Almeida, de 62 anos, morreu por volta das 4 horas desta quinta-feira (20.08), após permanecer 10 dias internado no Pronto-Socorro de Várzea Grande (PS/VG) à espera de transferência para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A morte foi confirmada pela filha do paciente.
José Carlos apresentava um quadro grave e tinha a solicitação de UTI classificada no Sistema Nacional de Regulação (Sisreg) como “Prioridade 0 – Emergência, necessidade de atendimento imediato”. Mesmo assim, conforme a família, ele morreu sem conseguir a transferência.
Ao ser procurada pela reportagem, a filha lamentou que o atendimento não tenha ocorrido a tempo. “Bom dia. Obrigada pelo apoio, mas, infelizmente, foi tarde. Obrigada pelo sentimento”, declarou.
Um dia antes da morte, a Justiça havia determinado que o Estado de Mato Grosso e o Município de Várzea Grande providenciassem a internação do paciente em uma UTI adulta no prazo máximo de 24 horas.
A liminar foi concedida nessa quarta-feira (19) pelo juiz Renato José de Almeida Costa Filho, durante o Plantão Judiciário Regional do Polo I, conforme publicado pelo
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Segundo os documentos médicos apresentados no processo, José Carlos enfrentava uma síndrome ictérica em investigação, com evolução para síndrome hepatorrenal e alto risco de desfecho desfavorável.
Ao conceder a medida, o magistrado reconheceu que a demora na disponibilização do leito colocava a vida e a integridade do paciente em risco.
“O periculum in mora resulta do próprio caráter emergencial do quadro, uma vez que a permanência da solicitação de leito de terapia intensiva sem atendimento expõe a parte requerente a risco concreto à vida e à integridade”, destacou o juiz.
A ordem estabelecia que, caso não houvesse vaga na rede pública, o Estado e o Município deveriam custear a internação em hospital particular ou providenciar o Tratamento Fora do Domicílio (TFD), inclusive com transporte terrestre ou aéreo.
O
procurou a Prefeitura de Várzea Grande para obter esclarecimentos sobre a morte de José Carlos. No entanto, apesar de questionada especificamente sobre a morte, a Prefeitura encaminhou uma nota afirmando que o paciente ainda estava internado na Sala Vermelha, estrutura classificada como semi-UTI, e recebia acompanhamento contínuo de uma equipe multidisciplinar.
A nota informou ainda que a unidade havia solicitado ao Estado uma vaga de UTI em serviço especializado e aguardava a disponibilidade pela regulação estadual. Segundo a Prefeitura, o paciente seria transferido imediatamente após a liberação do leito.


























