O deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo) e o irmão, o vereador por Cuiabá Cezinha Nascimento (União), foram alvos da Operação Emenda Oculta, deflagrada na manhã desta quinta-feira (30). A ação investiga um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares destinadas a entidades no estado.
A investigação é conduzida pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), do Ministério Público Estadual (MPE), que cumpre medidas cautelares de busca e apreensão contra os parlamentares, além de servidores públicos e particulares ligados ao caso.
Conforme apurado, o esquema envolve o repasse de recursos públicos ao Instituto Social Mato-Grossense (ISMAT) e ao Instituto Brasil Central (Ibrace). Segundo as investigações, os valores destinados por meio de emendas parlamentares eram transferidos à empresa Sem Limite Esporte e Evento LTDA, que, posteriormente, devolveria parte do montante aos autores das emendas.
A operação é desdobramento da Operação Gorjeta, que já havia apurado o desvio de recursos envolvendo o vereador Chico 2000 (PL), também por meio do Instituto Brasil Central (Ibrace).
Outro caso relacionado
Em janeiro de 2026, o vereador Chico 2000 foi alvo de uma operação da Polícia Civil que investigou crimes como peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A apuração apontou prejuízos ao município de Cuiabá, especialmente à Câmara Municipal e à Secretaria Municipal de Esportes.
Na ocasião, também foram alvos o presidente do Instituto Brasil Central (Ibrace), Alex Jones Silva, e o empresário João Nery Chiroli, da empresa Chiroli Uniformes.
De acordo com a investigação, o grupo — formado por servidores, empresários e o vereador — teria atuado de forma articulada para direcionar emendas parlamentares ao instituto e à empresa, com posterior devolução de parte dos recursos ao parlamentar responsável pela indicação.
Após a operação, o juiz Cássio Leite de Barros Netto determinou a realização de auditoria, no prazo de 120 dias, em 12 emendas parlamentares destinadas por vereadores de Cuiabá ao Ibrace.
Do total, sete emendas são de autoria de Chico 2000, somando R$ 3,65 milhões. O vereador foi afastado do cargo e teve bens bloqueados, assim como o instituto investigado.
Outras três emendas sob análise são de autoria do vereador Cezinha Nascimento (União), que destinou R$ 728 mil; do vereador Dídimo Vovô (PSB), com R$ 100 mil; e do ex-vereador Dr. Luiz Fernando, responsável por R$ 350 mil. Os repasses ocorreram entre os anos de 2023 e 2025.
As investigações seguem em andamento para apurar a extensão do suposto esquema e a responsabilidade dos envolvidos.



























