Mauro Mendes

Saúde fiscal não é apenas uma questão contábil

publicidade

“O orçamento é o coração do governo. Quem governa mal as contas, governa mal o povo” (Ulysses Guimarães). Essa frase, dita há décadas, é mais atual do que nunca. Nenhum governo consegue entregar políticas públicas de verdade se não tiver suas contas em ordem. 

Saúde fiscal não é apenas uma questão contábil. É o ponto de partida para garantir o básico: salários em dia, investimentos estruturantes, credibilidade institucional e respeito ao cidadão.

Quando um estado ou país perde o controle do seu orçamento, o efeito é imediato: fornecedores não recebem, serviços travam, obras param e o investidor privado recua. Ninguém aplica dinheiro onde impera a instabilidade, onde há risco constante de aumento de impostos ou mudanças abruptas de regras. A desorganização fiscal vira sinônimo de insegurança.

Por isso, defendo com firmeza que o equilíbrio fiscal seja tratado como prioridade absoluta em qualquer esfera de governo. Isso vale para municípios, estados e, principalmente, para a União, que tem registrado déficits bilionários nas contas primárias e já recebeu alerta do Tribunal de Contas da União de uma “quebradeira geral” em 2027. 

Leia Também:  Ruas, avenidas, travessas e homenagens

Em Mato Grosso, enfrentamos essa realidade logo no início da primeira gestão, em 2019. Pegamos um estado quebrado, com salários atrasados e rombos acumulados. Optamos por fazer o que precisava ser feito: um ajuste fiscal duro, responsável e necessário. Cortamos gastos, reorganizamos contratos, acabamos com desperdícios e colocamos as finanças em ordem.

O resultado disso foi a recuperação da capacidade de investimento. Com as contas organizadas, conseguimos aplicar ano após ano quase 20% da receita em obras e serviços públicos, bem acima da média nacional. E não foi só isso: criamos um ambiente confiável para o setor produtivo, que passou a investir, gerar empregos e movimentar a economia do estado.

Hoje, Mato Grosso tem a menor taxa de desemprego do país. Estamos construindo seis grandes hospitais, reformando e ampliando escolas, dobrando a quantidade de asfalto, modernizando a segurança pública com armamentos, viaturas, câmeras e profissionais, valorizando os servidores com salário em dia, premiações, bônus por desempenho e pagando direitos que estavam esquecidos há anos, sem esquecer de investir forte no social, garantindo dignidade para quem mais precisa. Nada disso seria possível sem o ajuste fiscal lá atrás.

Leia Também:  Enfrentamento, colaboração e superação!

Um exemplo claro dessa combinação de responsabilidade e ação foi a solução para a BR-163, uma rodovia federal que estava há anos no abandono. O Governo do Estado pegou o problema para si, comprou a concessão e hoje executa a maior obra rodoviária do país, com mais de 100 quilômetros de duplicação já entregues e outros 130 previstos até o final do ano. 

Essa trajetória mostra que é possível, sim, aliar responsabilidade fiscal com entregas concretas que beneficiam diretamente o cidadão. E mais do que isso: mostra que boa gestão começa pelas finanças. Antes de pensar em grandes projetos, é preciso garantir que o caixa suporte as ideias.

Governo bom não é o que promete. É o que entrega para a população. E só entrega quem tem responsabilidade com o dinheiro público, sabe o que fazer, planeja e toma coragem para fazer. Essa é a escolha que fizemos em Mato Grosso. E que o Brasil precisa fazer com urgência.

Mauro Mendes – é Governador do Estado de Mato Grosso

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem a opinião do Cuiabá Notícias

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade