O empresário João Gustavo Ricci Volpato, preso nesta quarta-feira (30), durante a deflagração da Operação Sepulcro Caiado, conduzida pela Delegacia Especializada de Estelionato da Polícia Civil é apontado como um dos líderes de um esquema de fraudes processuais que pode ter causado um prejuízo superior a R$ 21 milhões ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
João Volpato é investigado como a figura central de uma organização criminosa que forjava a existência e o pagamento de dívidas judiciais. Ele mantinha ligação com a família do ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), e ocupava, até recentemente, um cargo no governo federal como gerente regional da Agência Nacional de Mineração (ANM) em Mato Grosso, com salário bruto de R$ 11 mil.
Leia mais em: Servidor foragido tinha dados privilegiados e fraudava processos para desvio; desvios somam mais de R$ 21 mi
Sua nomeação, feita em abril deste ano e foi articulada pelo deputado federal Emanuelzinho (MDB), filho do ex-prefeito. Antes disso, Volpato atuou como secretário de Habitação e Regularização Fundiária de Cuiabá, no fim da gestão de Pinheiro. A escolha para a ANM gerou críticas no setor mineral, já que ele não possui formação ou experiência na área, e a indicação foi vista como estritamente política.
Esquema sofisticado
De acordo com a investigação, o grupo criminoso liderado por Volpato ajuizava ações de execução de dívidas inexistentes e utilizava comprovantes falsos para simular o pagamento dessas supostas dívidas.
O esquema contava com o apoio de Mauro Ferreira Filho, servidor do TJMT, que manipulava os sistemas internos do tribunal para registrar os pagamentos como se fossem legítimos. Ele é considerado o “cabeça” do esquema e está foragido.
“A organização criminosa atuava com divisão de tarefas, utilizando documentos falsos, processos judiciais, empresas de fachada e o acesso a sistemas internos do TJMT para dar aparência de legalidade aos golpes”, informou o delegado Pablo Cabral, responsável pela investigação.
Além de Volpato, outras dez pessoas tiveram a prisão decretada, incluindo advogados, empresários e familiares envolvidos no esquema. Entre os alvos estão:
-
Wagner Vasconcelos de Moraes
-
Melissa Franca Praeiro Vasconcelos de Moraes
-
Rodrigo Moreira Marinho
-
Themis Lessa da Silva
-
João Miguel da Costa Neto
-
Régis Poderoso de Souza
-
Denise Alonso
-
Além de parentes de Volpato, que figuravam como sócios de empresas de fachada usadas para movimentar os recursos.
Ação judicial e bloqueio de bens
A Justiça autorizou o cumprimento de 160 ordens judiciais nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande e Marília (SP). As medidas incluem:
-
Prisões preventivas
-
Buscas e apreensões
-
Bloqueios de contas bancárias
-
Quebras de sigilo fiscal e bancário
-
Sequestros de imóveis, veículos de luxo, joias e até barras de ouro
A fraude se utilizava dos próprios sistemas judiciais para gerar créditos fictícios, os quais eram convertidos em valores reais sacados sem o conhecimento das partes envolvidas.




















