O deputado estadual Dr. João, primeiro-secretário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), classificou como uma tentativa de “desestabilizar a Assembleia Legislativa” o vazamento de informações do relatório da Polícia Civil sobre o uso de emendas parlamentares com indícios de sobrepreço na compra de kits agrícolas. Em entrevista ao Cuiabá Notícias, nesta quarta-feira (9), ele afirmou que, embora seu nome apareça na lista de investigados, não recebeu nem distribuiu nenhum kit.
“Foi informado que cada deputado teria direito a 200 kits, para distribuir entre sitiantes e chacareiros. Coisas simples, mas que têm utilidade para as pessoas. Eu estou nessa lista, mas eu não peguei kit nenhum. Não peguei uma enxada sequer”, declara o parlamentar.
O relatório que baseou uma reportagem do portal UOL cita 14 deputados estaduais, além de um prefeito e um secretário de Estado, como responsáveis por autorizar emendas parlamentares durante o período eleitoral para a compra dos kits, que seriam intermediados pela Secretaria de Agricultura Familiar (Seaf). A investigação da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) estima um prejuízo de R$ 28 milhões aos cofres públicos, devido ao possível superfaturamento dos itens adquiridos em 2023, cujo valor seria superior ao de anos anteriores.
Segundo o deputado, sua equipe chegou a planejar uma forma de distribuição transparente dos kits, caso fossem repassados, priorizando associações em regiões com forte presença da agricultura familiar.
“Sou de uma região em que a agricultura familiar é muito forte. A ideia era mandar para Tangará, Barra do Bugres, Arenápolis, Nova Marilândia, Santo Afonso. E na de pegar os kit, foi informado que não tinha mais”, explicou.
Dr. João enfatizou ainda que o parlamentar apenas indica a destinação das emendas, mas não participa da compra nem da definição de preços. “Não sou eu que faço levantamento de preço. Quem faz a cotação é o governo. Não somos nós”, declarou.
“Foi uma emenda de bancada. A gritaria envolvida está sendo usada para politizar algo que não teve politicagem”, completou.
Durante a entrevista, Dr. João criticou a condução do caso, como uma tentativa para derrubar a deputada Janaina Riva (MDB), se referindo ao início do episódio que resultou nas exonerações na Secretaria de Agricultura Familiar (Seaf), no ano passado, como Luluca Ribeiro.
“Tentaram bater, pegar a Janaína, e o tiro saiu errado. A Janaína nem no meio estava”, afirmou.
“Até hoje, não provaram nada do Luluca. Foi uma jogada política, que ele agora não sabem o que fazer agora. O Otaviano Pivetta ficou bacana agora. A Assembleia ficou muito feliz com isso”, completa.
Segundo ele, a matéria teve o objetivo de provocar desgaste político à Assembleia e ao governo.
“Tentaram imputar isso aí para desestabilizar a Assembleia. Isso é grave”, disse, demonstrando indignação.
Para Dr. João, a repercussão do caso também serviu como instrumento para atingir deputados que possuem familiares que foram candidatos nas eleições municipais de 2024.
“Foi pra pegar também aqueles deputados que tiveram algum parente candidato”, disse.
Emendas como ferramenta de apoio ao interior
Dr. João também defendeu o uso das emendas parlamentares como uma das únicas formas de atender demandas urgentes dos municípios do interior, especialmente as mais distantes da capital.
“Às vezes o governador não consegue atender um vereador do interior. Eles vem no deputado e pede ajuda, chega dizendo: ‘Doutor, pelo amor de Deus, preciso de uma patrulha mecanizada’. Ou: ‘Preciso reformar meu sistema de saúde’. É o nosso papel ajudar”, afirmou.
“A nossa emenda não vale nada? Nós sabemos disso. Mas é isso que muda a vida de muita gente”, acrescenta.



















