O deputado estadual Valdir Barranco (PT) acusou o governo Mauro Mendes (União Brasil) de agir com má-fé com o parlamento, principalmente com deputados da base na Assembleia Legislativa, ao comentar a polêmica envolvendo kits agrícolas que embasou uma reportagem da UOL denunciando um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares destinadas à Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT) e repassadas ao Instituto Pronatur (Instituto de Natureza e Turismo), tenha cunho político.
Segundo o parlamentar, a polêmica teve origem durante a disputa pela Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, e teria sido usada como manobra para desqualificar adversários políticos, como a deputada Janaina Riva (MDB).
“Acho que houve má-fé do governo com o parlamento. Porque o governador e o vice-governador, isso aí começa quando? Lá na disputa da Mesa, para tentarem prejudicar a Janaina, eles eclodem essa polêmica aí para desqualificar ela e retirá-la da Mesa. E retiraram”, disparou.
Barranco relembrou que o episódio teve início com exonerações na Secretaria de Agricultura Familiar (Seaf), e que as consequências da denúncia extrapolaram o controle do governo.
“Só que isso é um passo que não tem mais volta. Se eles pensaram que iam dizer que tinha corrupção, desvio de recurso, e o único resultado disso era retirá-la [Janaina] da Mesa, eles erraram. Porque isso aí é igual uma mentira que você coloca nas redes sociais. Depois você pode até apagar, mas não tem mais volta. Porque alguém já printou, vai pôr de novo, vai circular de novo. Então essa questão começou quando eles exoneraram o pessoal da Seaf, trocaram, conseguiram não deixar ela ser candidata à primeira-secretaria. Mas aí virou uma denúncia?”, questionou.
“Agora o único caminho que tem para provar isso é na Justiça”, completou.
De acordo com a matéria do UOL, 14 deputados estaduais autorizam emendas durante o período eleitoral. O inquérito da Deccor aponta que o grupo criminoso causou prejuízo de R$ 28 milhões na compra de kits agrícolas. A maioria dos deputados citados na denúncia são base do governador na Assembleia.
Barranco também criticou a forma como o governador teria exposto os próprios aliados. Ele lembrou que a base aliada já barrou iniciativas importantes, como a CPI dos Consignados, mesmo diante de robustez nas denúncias.
“O governador foi muito maldoso com a base. Você não faz isso. Como que você pega a base que é fiel a você. Por exemplo, estamos falando de uma CPI que tem substância, que tem elementos, e poderia já estar aprovada. Mas eles são fiéis, eles não assinam”, questionou.
“Nós tivemos propostas de CPI feitas para questões envolvendo a saúde, vídeos, operações, provas robustas… E mesmo assim, não conseguimos as assinaturas. E o governador paga isso expondo os colegas da própria base. Acho que foi muita covardia da parte dele”, concluiu.
A Deccor aponta que o grupo criminoso causou prejuízo de R$ 28 milhões na compra de kits agrícolas que continham, roçadeiras, motocultivador, adubadeira e perfurador de solo são apontados como equipamentos comprados com os recursos.
Defensor da agricultura familiar, o parlamentar afirmou que não participou da liberação desses recursos e criticou o modelo adotado, que segundo ele desrespeita a realidade dos trabalhadores da agricultura familiar. Segundo ele, o tipo de equipamento repassado no kits agrícolas não condiz com a real necessidade dos pequenos produtores.
“Eu convivo agricultura familiar, nunca ninguém chegou para mim e pediu ‘me dá uma enxada, me dá uma carriola, me dá uma picareta, uma foice’… Ninguém quer isso. As pessoas pedem: ‘eu quero um trator, uma grade aradora, uma plantadeira, uma colheitadeira’. As pessoas querem ter dignidade. Não é só o rico do agro que quer ter máquina moderna”, declarou.
“Eu achei que era um desrespeito oferecer isso ai para agricultura familiar. Eu já trabalhei na roça. Ninguém quer trabalhar na enxada, é muito difícil, sol quente. Por isso eu não participei. Não sei como isso aí funciona. Eu estou acompanhando pela imprensa também”, afirmou.
Barranco lembra que, a maioria dos nomes envolvidos nas denúncias que vieram à tona recentemente são aliados do governador Mauro Mendes (União Brasil).
“A maioria dos nomes citados são aliados do governador. Será que tem alguma coisa aí?”, questionou.
Apesar disso, ponderou que a Constituição garante o direito à ampla defesa e ao contraditório.
“Acho que os colegas estão nesse trabalho eficiente de provar a inocência”.



























