O ex-vereador Robinson Cireia (PT) e o suplente Léo Rondon (PT) protocolaram na Câmara Municipal de Cuiabá um requerimento contra o prefeito Abilio Brunini (PL), após ele publicar nas redes sociais um vídeo em que estudantes em que questionava cálculos aos estudantes e debochava dos mesmo, durante um evento escolar.
O documento encaminhado ao Protocolo da Casa de Leis afirma que o prefeito feriu o Estatuto de Criança e do Adolescente (ECA). Para os petistas, o ato caracteriza também como um possível crime de cyberbullying previsto no Código Penal.
Segundo os autores do pedido, a atitude do prefeito foi um “linchamento público contra aquelas crianças” e precisa ser investigada. O documento entregue à presidente da Casa, Paula Kalil (PL), inclui prints de comentários feitos pelo gestor em sua página pessoal, considerados ofensivos e discriminatórios.
Durante o protocolo, Robinson Cireia afirmou que a conduta não condiz com o cargo que o prefeito ocupa.
“Qual é a era para se chamar, se chamar para ser educado? Nós, professores, não podemos. Tem estudante que não sabe escrever, o que eu vou fazer com ele? Vou ridicularizar o aluno? Vou impor na minha rede social? E isso é feito pelo prefeito. Como que ele faz isso? Como que ele entende isso? Sendo aceitado”, declarou.
Cireia também questionou a falta de prioridade da gestão municipal.
“Ele não está em uma brincadeira, em uma festa. Ele não está passeando em uma cidade. Porque a cidade tem uma série de problemas. Entre eles, a educação. Por que ele não senta com o governador? Junto com o governador, ele não faz um trabalho para recuperar e alfabetizar. De preparar. Mas ele sai. Ele tem tempo para ridicularizar uma criança na escola esportiva. Que, inclusive, não estava em sala de aula, mas na inauguração do governador. Ou seja, está tudo errado nisso.”
Já o suplente Léo Rondon reforçou que houve desvio de finalidade no ato, uma vez que o prefeito estava em função oficial.
“Houve um desvio de finalidade ali também. Porque ele estava ali como a autoridade máxima do município de Cuiabá. Ele não estava ali para fomentar divisão ideológica dentro da escola. E isso fora criança. Sem postar o vídeo na internet já seria um flagrante. No ambiente escolar, nenhuma autoridade pode expor uma criança ou adolescente a tratamento cruel ou degradante”, afirmou.
‘Palácio dos horrores’
Os representantes do PT classificaram a atitude como mais um exemplo do que chamaram de “desrespeito institucional” do atual prefeito.
“Essa legislatura da Câmara Municipal de Cuiabá tem que dizer para a população cuiabana se vai continuar ali sendo a casa dos horrores. Porque, infelizmente quem ocupa a cadeira de prefeito hoje, transformou o Palácio Alencastro em Palácio dos Horrores”, declarou Rondon.
Ele acrescentou que não é admissível que a principal autoridade da capital utilize as redes sociais para atacar estudantes.
“Não dá para infantilizar o prefeito, que tem 40 anos de idade. Ele tem que sofrer as consequências. E fala nas redes sociais ridicularizando crianças. Isso é inaceitável.”
Próximos passos
O pedido será analisado pela Mesa Diretora da Câmara, que decidirá se abre processo contra o prefeito ou se arquiva a denúncia. Os vereadores do PT afirmam que irão acompanhar o andamento do caso e cobrar uma resposta efetiva da Casa de Leis.




















