ATENTADO A TRUMP

O que se sabe de tiroteio em jantar de Trump com jornalistas

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O presidente dos Estados UnidosDonald Trump, e a primeira-dama Melania Trump foram retirados às pressas de um jantar com jornalistas em Washington na noite deste sábado (25/04), após um homem trocar tiros com seguranças na entrada do evento.

Não houve feridos. Mais tarde, Trump descreveu o ocorrido como um ataque de um “aspirante a assassino”.

O suspeito, detido por autoridades americanas, teria visado representantes do governo. “Parece que ele de fato estava mirando gente que trabalha na administração [federal], provavelmente incluído o presidente”, declarou o procurador-geral Todd Blanche à emissora NBC.

Mais tarde, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, foi mais direta ao afirmar que o incidente se tratou de uma tentativa de “assassinar” Trump. Em publicação nas redes sociais, ela disse que o evento foi “sequestrado por uma pessoa desequilibrada […] tentou assassinar o presidente e matar o maior número possível de altos funcionários do governo Trump”.

Veja, abaixo, o que sabe sobre o episódio.

O que aconteceu?

Por volta das 20h35 do horário local (21h35 de Brasília), ouviram-se baques surdos de tiros do lado de fora do salão que sediava o jantar anual de gala da Associação de Correspondentes da Casa Branca, no hotel Washington Hilton.

Um homem havia acabado de furar o esquema de segurança montado para o evento, ao qual haviam comparecido, além de Trump, o vice-presidente JD Vance e diversos outros membros do governo americano, de um total de 2,6 mil convidados.

Agentes do Serviço Secreto, vestidos de terno e gravata, correm armados com pistolas
Agentes do Serviço Secreto reagem a ameaça de atiradorFoto: Tom Brenner/AP Photo/picture alliance

Momentos antes, imagens de vídeo mostravam Trump e a esposa sentados a uma mesa no palco, conversando com alguém.

O suspeito, que segundo as autoridades americanas portava uma espingarda, uma arma de fogo de cano curto e diversas facas, chegou a trocar tiros do lado de fora com os agentes antes de ser imobilizado e detido.

De início, Trump e Melania mal se moveram. “Pensei que fosse uma bandeja caindo”, declarou o presidente horas mais tarde a repórteres, referindo-se ao som de tiros.

Ao perceber a confusão, pessoas começaram a gritar “abaixem-se, abaixem-se!”. Convidados em trajes de gala se esconderam debaixo das mesas enquanto agentes de segurança sacavam suas armas. Outros, à paisana, empurraram funcionários do governo para o chão e os protegeram com os próprios corpos, ou formaram um cordão de proteção.

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Enquanto isso, agentes de segurança usando uniformes de combate invadiram o palco, apontando fuzis para o salão, enquanto Trump, sua esposa e Vance eram retirados do local. Integrantes do gabinete que estavam sentados em mesas espalhadas pelo enorme salão foram escoltados para fora, um a um, por suas equipes de segurança.

Fora do hotel, membros da Guarda Nacional e outras autoridades acudiram em massa à área, enquanto eram observados por helicópteros.

Quem é o suspeito?

O suspeito foi identificado pelas autoridades como Cole Allen, um engenheiro mecânico de 31 anos, morador da Califórnia e mestre em ciência da computação. Ele também desenvolve jogos e é professor em uma empresa que prepara alunos para a universidade.

Trump chegou a compartilhar uma foto dele nas redes sociais, imobilizado no chão, de bruços, e algemado.

Segundo Blanche, o suspeito viajou de trem da Califórnia até Washington, e fez check-in como hóspede no hotel que sediava o evento. Ele portava, além de uma espingarda, uma arma de cano curto, compradas legalmente, e diversas facas.

O homem será conduzido a um juiz na segunda-feira, e responderá a acusações por porte de armas durante crime violento e ataque contra agentes federais.

“Minha impressão é de que ele era um lobo solitário”, disse Trump após o ocorrido. No domingo, o republicano ainda afirmou que Allen escreveu um “manifesto anti-cristão” antes do incidente. “A irmã ou o irmão dele, na verdade, estavam reclamando disso. Eles chegaram a fazer denúncias às autoridades. Ele era um cara muito perturbado”, afirmou em uma entrevista ao canal Fox News.

Segundo as autoridades, a família do acusado havia alertado a polícia em Connecticut após receber um manifesto enviado por Allen pouco antes do ataque.

No texto, o suspeito se autodenominava um “Assassino Federal Amigável”, disseram oficiais envolvidos nas investigações a agências de notícias.

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Segundo a Associated Press, o homem usou o manifesto para criticar veementemente as medidas recentemente adotadas pelo governo dos EUA sob a gestão de Trump, embora não tenha mencionado o nome do presidente republicano diretamente. Já fontes ouvidas pela Reuters indicam que o documento ainda zombava da “insana” falta de segurança no hotel Hilton, onde o evento aconteceu.

Qual era o esquema de segurança do evento?

Momentos após o incidente, Trump, que inicialmente fora levado para a suíte presidencial do hotel, chegou a declarar que gostaria de retomar o evento e discursar. Mas ele teria sido dissuadido pelo Serviço Secreto, que o convenceu a voltar à Casa Branca.

Trump é escoltado por agentes de segurança após tiroteio
Trump é escoltado por agentes de segurança após tiroteioFoto: Bo Erickson/REUTERS

O presidente, então, declarou que gostaria de remarcar o jantar em até 30 dias. Mas a presença de um atirador no hotel levantou dúvidas sobre o esquema de segurança do evento.

As autoridades acreditam que o suspeito conseguiu chegar até a entrada do salão do jantar porque já estaria registrado antes como hóspede do hotel.

O Washington Hilton havia restringido a entrada desde as 14h do horário local – seis horas antes do início do jantar –, permitindo o acesso apenas de hóspedes e convidados.

Convidados do evento afirmam que só precisaram passar por uma revista de segurança ao entrar no salão do jantar, mas não na entrada do hotel.

A jornalista Ines Pohl, chefe do escritório da DW em Washington, disse ter estranhado o fato de ter tido a entrada autorizada mediante a apresentação apenas de uma credencial de imprensa, sem foto.

O próprio Serviço Secreto, porém, defendeu seu esquema de segurança, dizendo que ele foi capaz de deter o suspeito armado antes que ele pudesse adentrar o salão do evento.

Falando a jornalistas horas depois, Trump disse que o incidente da noite de sábado demonstrava por que a Casa Branca precisa de seu próprio salão de festas. A obra, considerada polêmica, tem custo estimado em 300 milhões de dólares.

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