O delegado Michel Paes, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou que o motorista de aplicativo Daferson da Silva Nunes, de 34 anos, foi torturado por mais de 6h antes de ser executado por integrantes de uma facção criminosa. O corpo da vítima foi encontrado na manhã de quarta-feira (22), em uma estrada vicinal na região da Guia, em Cuiabá (MT).
Segundo as investigações, Daferson teria sido atraído para uma emboscada após ser acusado de estuprar uma passageira durante uma corrida de aplicativo, na noite de segunda-feira (20), no bairro Jardim Glória, em Várzea Grande.
“A vítima foi refém das redes sociais. Circulou em grupos de WhatsApp a informação de que ele estava ‘decretado’, que iria morrer. Ele tentou se defender, chegou a registrar um boletim de ocorrência e procurou os membros da facção para esclarecer os fatos”, explicou o delegado.
De acordo com Paes, os criminosos marcaram um encontro com o motorista sob o pretexto de ouvi-lo. No local combinado, no entanto, ele foi rendido e submetido a longas sessões de tortura.
“Muito provavelmente, ele foi obrigado a confessar o crime. Quando a pessoa não fala o que o outro quer ouvir, as agressões continuam. Ele foi espancado, arrastado no chão, teve as roupas rasgadas e foi amarrado pelos pés, sem conseguir se mover. O corpo apresentava diversos hematomas formados ainda em vida”, relatou o delegado.
Daferson foi encontrado com as mãos e os pés amarrados e três tiros na cabeça. Para a polícia, ao menos cinco integrantes da facção, que se autodenominam “justiceiros”, participaram do homicídio.
“Pelo estado em que foi encontrado, é possível estimar que ele tenha sido mantido sob tortura por cerca de seis horas, talvez mais. Foi uma execução brutal”, afirmou Paes.
As investigações apontam que, em determinado momento, os criminosos teriam decidido matá-lo, mesmo que ainda restassem dúvidas sobre a acusação.
“Ou ficaram convencidos de que o crime ocorreu, ou as agressões já tinham sido tão graves que não havia mais como voltar atrás”, completou o delegado.
A Polícia Civil segue apurando a identidade de todos os envolvidos.
Acusação de estupro
De acordo com a Polícia, exames preliminares identificaram presença de sêmen nas roupas e na região íntima da passageira que o havia acusado. No entanto, o laudo pericial de DNA, que deve confirmar se o material genético pertence ao motorista, ainda não foi concluído.





















