O governador Mauro Mendes (União Brasil), cobrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adote medidas urgentes para evitar o agravamento da crise diplomática e comercial entre Brasil e Estados Unidos. Mendes comparou o momento vivido pelo país ao processo que levou a Venezuela a uma profunda deterioração econômica e política.
“O que aconteceu com a Venezuela quando enfrentou os Estados Unidos? Transformou num país de quinta categoria, um país que hoje envergonha os eleitorados e os votos maiores da história da América Latina. Então não podemos, de maneira alguma, permitir que essa crise possa escalar e levar o Brasil a uma das piores crises da sua história”, afirmou o governador.
A tensão aumentou após o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciar um aumento tarifário de 50% sobre alguns produtos brasileiros. A decisão ocorreu logo depois de o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, viajar aos EUA para articular, com o apoio de Trump, uma possível anistia ao pai.
Ao anunciar as tarifas, Trump criticou o Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando que os Estados Unidos não poderiam “continuar premiando países onde o Judiciário interfere nas eleições, censura vozes conservadoras e prende opositores políticos”, em referência ao julgamento de Bolsonaro.
Para Mauro Mendes, embora Trump esteja errado, o peso político e econômico dos EUA exige cautela por parte do Brasil.
“Eu acho que o presidente Trump está errado. Está errado, sim. Mas ele é o presidente da maior economia do planeta. Não adianta a nós aqui, da dimensão que nós temos, que respeitar o cara. Não dá para agir do jeito que dá agir, cometendo esses erros clássicos de prejuízo pela informação internacional. Isso pode custar caro a todos nós, brasileiros.”
O governador também disse que a questão vai além de disputas políticas e afeta diretamente o futuro econômico do país.
“A questão que começa o processo de desinvestimento do país não é consequência disso, mas é da vida de todos nós. Então nós queremos cobrar, sim, do presidente. E se ele não quiser, então que o Congresso Nacional não poderá agir com o presidente da Câmara e do Senado a sua explotadoria.”
Mendes ainda criticou brasileiros que comemoraram publicamente as sanções impostas pelos Estados Unidos. “Claro que eu e nenhum brasileiro de bom senso aprova que haja uma manifestação de um patriota nosso, de um brasileiro, de quem quer que seja, contra o nosso país defendendo o tarifaço. Ele pode trazer consequências gravíssimas para todos nós brasileiros.”
O governador aproveitou para renovar as críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, acusando-o de cometer “equívocos gigantescos” no julgamento do ex-presidente Bolsonaro. Para ele, Moraes não poderia atuar em um processo do qual também participou na fase de coleta de provas. “Essa opinião de muitos grandes juristas desse país: está havendo excessos. O próprio Supremo Tribunal Federal validou o juiz de garantia. O juiz de garantia diz claramente que um juiz que faz parte do processo de instrução, do processo de acolhimento de provas, ele não pode fazer parte do julgamento.”
Segundo Mendes, essa conduta ameaça a estabilidade institucional e contribui para a crise atual. “Então existem equívocos gigantescos sendo conduzidos e isso está arrastando o Brasil para uma crise.”
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