Mariana Rios fala sobre decisão de compartilhar jornada como mãe tentante

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Vogue/G1

No final de abril, Mariana Rios, de 39 anos, postou um vídeo no Instagram em que mostrou toda a sua vulnerabilidade: ela aparece chorando após receber a notícia de que nenhum dos nove embriões formados durante a tentativa de fertilização in vitro era viável para gestação — o episódio segue uma perda gestacional, em 2020, e diversos esforços de engravidar naturalmente depois disso. “Hoje eu vou me dar o direito de ficar assim, mas amanhã eu vou acordar melhor”, disse ela no vídeo, em meio às lágrimas.

Apesar de mais uma tentativa frustrada, ela não pensa em desistir do seu sonho de gerar uma vida ao lado do namorado, o empresário Juca Diniz, e tem dividido publicamente o processo para ser mãe. Ela garante que o percurso a ensinou como olhar para a vida com maturidade para entender que o trajeto é tão importante quanto o resultado. Confira o bate-papo a seguir.

Vogue: Por que decidiu compartilhar sua jornada como tentante de forma pública?

Mariana Rios: Quando percebi que as coisas que eu falava, os vídeos que eu postava, meus textos, influenciavam os outros de alguma forma. Isso começou a ficar visível para mim e senti que era esse o meu caminho, de ajudar as pessoas a terem um olhar diferente diante a vida. Quando notei que não dividia nem com as pessoas mais próximas o assunto da tentativa, [quis] ser uma tentante que vem com força para esse movimento. Ao não falar, estava adoecendo de alguma forma. ‘Poxa, estou fugindo do meu propósito’, pensei. Então decidi realizar um workshop voltado para o assunto maternidade em 2024 e recebi vários relatos de mulheres que tiveram a coragem de contar as histórias dessas tentativas. Isso me inspirou muito.

Vogue: E o caminho para chegar na FIV?

Mariana: A forma como conduzo qualquer decisão na minha vida é muito certeira. Vou por um caminho sem olhar para o lado, não trabalho em cima de “e se não der certo”. Quando percebo que o caminho não vai por onde gostaria, eu recalculo a rota. Então a FIV aconteceu a partir do momento em que tentei engravidar naturalmente e entendi que o processo natural não aconteceria.

Vogue: Sua tentativa recente acabou não dando certo. Como essa notícia desgastou seu emocional?

Mariana: Percebo esse desgaste emocional em todas as mulheres da comunidade. A gente dribla o emocional o tempo todo. Tento enxergar tudo como aprendizado e, dentro dessa jornada, aprendi muita coisa. Só sou quem eu sou por tudo que passei até hoje e só agradeço, de verdade. Lógico que sinto, choro, fico triste, abalada… Mas eu tenho poder sobre mim. Tenho o poder de decidir se vou contar essa história com alegria ou tristeza. Porque todo mundo acha que o prêmio é quando você chega lá, mas eu nunca achei isso. Para mim, ele vem pelo caminho, durante a trajetória. Se você não aproveita a trajetória, não consegue prestar atenção na conquista.

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Vogue: Você pretende tentar a FIV novamente?

Mariana: Já estou tentando de novo. Mas não é como se eu precisasse disso para ser feliz. Essa tentativa faz sentido para mim, estou bem para continuar. Entendi que precisava mudar hábitos, rotina, a influência do estresse na minha vida. Mas não é o objetivo final que vai me fazer feliz. A felicidade é um compromisso que eu tenho comigo mesma.

Vogue: Quem é a sua maior rede de apoio?

Mariana: É dentro da comunidade. Claro que tenho uma rede de apoio muito forte fora dela, mas a real compreensão vem de quem passa pelo que você passa. Meu parceiro está comigo de mãos dadas, temos uma parceria de vida, não só amorosa. Também tenho minha família em todos os cenários. Mas ali dentro da comunidade é completamente diferente. É diferente falar, por exemplo, ‘hoje tive que aplicar hormônios na minha barriga, estou superinchada’ e, de repente, sua mãe ou amiga diz que é exagero.

Vogue: Você tem mais de 10 milhões de seguidores no Instagram. Quando você compartilha temas tão pessoais e sensíveis, já enfrentou comentários negativos ou sugestões de “receitas mágicas”?

Mariana: Realmente não é fácil expor isso tudo, ainda mais para uma pessoa que sempre teve a vida privada, como eu tive. Nunca mostrei demais, nunca falei sobre os meus relacionamentos a fundo, sempre destaquei mais a minha vida profissional. Quando chegam esses tipos de comentários, é uma pessoa que quer dar um palpite, mas não dou muita atenção porque a maioria é positivo. Mas isso [receitas mágicas] tem 500. “Você precisa procurar Deus”. Quem disse que não estou procurando? Escuto muito que é só eu relaxar que uma hora vai. Ou seja, a culpa [de não ter engravidado] é minha porque eu não relaxei. Tudo é culpa sua [da mulher]. Mas recebo tantas mensagens de carinho, vibrações positivas. É maravilhoso ver a torcida das pessoas e como elas ficaram sentidas com a notícia de que não aconteceu. Vejo que realmente tem gente boa no mundo.

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Vogue: O que significa ser mãe para você?

Mariana: Essa é uma pergunta complexa, que faço várias vezes. Penso muito por que eu desejo ser mãe. Acredito que ninguém vai conseguir dar essa resposta, e olha que penso muito nessa pergunta. As pessoas falam muito que querem ser mães para ter uma extensão de quem elas são. Você não precisa de um filho para que você se reconheça nele. Ter um filho é abdicar até de si mesma. É sobre o outro, sobre entrega, resiliência. É sobre atirar no escuro. “Vou ter um filho e ele vai ser assim”. Não, ele vai ser o que quiser. Ter um filho é você se desprender e realmente estar aberto a um possível amor incondicional. É escolher um caminho em mar aberto onde não se sabe por onde vai.

Vogue: Neste Dia das Mães, o que você diria para tantas mães tentantes?

Mariana: Diria para que elas priorizassem o compromisso com elas mesmas sobre a felicidade. Para que a felicidade esteja em primeiro lugar e não naquilo que elas não conseguem controlar. Assim você está preparada para tudo que a vida tem a oferecer, não aquilo que você quer que aconteça.

Entenda como é feita a FIV

A fertilização in vitro consiste em um tratamento de alta complexidade em que a paciente utiliza hormônios para estimular a ovulação e tem os óvulos aspirados para que sejam fertilizados em laboratório. Assim, o embrião já chega formado no útero.

“Do mesmo jeito que fazemos exames quando a mulher está grávida para detectar qualquer tipo de doença previamente, como Síndrome de Down, nós também conseguimos fazer uma análise genética do embrião antes de transferir para o útero, o chamado teste genético pré-implantacional. Saber se o embrião é normal ou anormal leva as chances de gravidez para 70%, mas o maior desafio hoje em dia é que esse número seja 100%”, explica Matheus Roque, médico especialista em reprodução humana da Clínica Mater Prime, em reportagem para a Vogue.

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