O julgamento dos acusados de envolvimento no assassinato do advogado Roberto Zampieri, de 57 anos, entra no segundo dia nesta quarta-feira (29), no Fórum de Cuiabá.
Respondem pelo crime Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas. A sessão está prevista para começar às 9h e será conduzida pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá.
Na acusação atuam os promotores de Justiça Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva. A defesa é feita pelos advogados Felipe André Laranjo, Ronaldo Lara Junior, Sarah Quinetti Pironi, Jayme Rodrigues Carvalho Junior e Patrick Igor Lopes Alves.
De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas é apontado como financiador do assassinato. Hedilerson Fialho Martins Barbosa teria atuado como intermediário entre os mandantes e o executor, enquanto Antônio Gomes da Silva confessou ter efetuado os disparos que mataram o advogado.
No primeiro dia de julgamento, foram ouvidas seis testemunhas. Entre elas estavam os delegados Nilson Farias e Edison Pick, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsáveis pela investigação do homicídio, e o delegado da Polícia Federal Marco Bontempo, que conduz a apuração sobre o chamado “celular-bomba” de Roberto Zampieri.
Também prestaram depoimento José Marcos Marini, amigo e sócio do advogado; Mariana Costa Pinto, secretária de Zampieri; e Lucilene Gonçalves da Silva, administradora do hotel onde Antônio Gomes da Silva e Hedilerson Fialho Martins Barbosa ficaram hospedados nos dias que antecederam o crime.
Para esta quarta-feira, após desistências de oitivas, a previsão é que apenas mais uma testemunha seja ouvida. Em seguida, deve começar a fase de debates entre acusação e defesa.
Delegados detalham investigação
Durante os depoimentos, os delegados apresentaram elementos que, segundo a investigação, levaram ao indiciamento dos três acusados.
O delegado Nilson Farias afirmou que ligações telefônicas feitas por Caçadini antes e logo após o assassinato chamaram a atenção da Polícia Civil e foram consideradas relevantes para que ele fosse apontado como financiador da execução.
Já o delegado federal Marco Bontempo detalhou a análise do material extraído do celular de Hedilerson. Segundo ele, imagens e capturas de tela armazenadas na galeria do aparelho revelaram conversas entre Hedilerson, Antônio Gomes da Silva e Caçadini.
De acordo com Bontempo, o conteúdo apreendido comprovaria tratativas para a execução do homicídio e reforçaria o papel de Hedilerson como intermediário entre o executor e o financiador.
“Há fortíssimos elementos que indicam o envolvimento dos três […] As mensagens identificadas na galeria de fotos do celular do Hedilerson comprovam toda a conversa, todas as tratativas para a execução do crime”, afirmou o delegado durante o julgamento.
Ainda conforme o delegado, entre as mensagens encontradas está uma supostamente enviada por Hedilerson a Caçadini logo após o homicídio, com a frase “Coronel, missão cumprida”. Para a investigação, o conteúdo é um dos principais indícios da participação dos acusados no crime.
Disputa por fazenda é apontada como motivação
Segundo as investigações, o assassinato de Roberto Zampieri teria sido motivado por uma disputa envolvendo a Fazenda Lagoa Azul, em Paranatinga, avaliada em cerca de R$ 100 milhões.
O fazendeiro Aníbal Manoel Laurindo e a esposa dele, Elenice Ballarotti Laurindo, são apontados pelo Ministério Público como mandantes do crime e respondem em processo separado.
Durante as oitivas, o delegado Marco Bontempo também afirmou que mensagens encontradas no celular de Zampieri indicam que o desembargador Sebastião de Moraes Filho relatou ter sido ameaçado por Aníbal Manoel Laurindo.
Segundo o delegado, as conversas mostram que o magistrado teria afirmado temer a divulgação de supostas provas ou imagens que poderiam comprometê-lo. Dias depois, Sebastião de Moraes Filho se declarou suspeito para atuar em um processo envolvendo Aníbal, decisão que, conforme Bontempo, foi criticada por Roberto Zampieri em mensagens encontradas pela Polícia Federal.




























