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José Lacerda aponta ausência de projeto político em MT: “O que se vê são disputas de poder”

A fala, marcada por reflexões históricas e críticas à atual gestão, do governador Mauro Mendes (União Brasil), chamou atenção para o cenário de concentração de renda e abandono de políticas estruturantes.

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Mato Grosso evoluiu economicamente, mas enfrenta desafios sociais graves e falta de projeto político claro, afirmou José Esteves de Lacerda Filho (PSD), uma das lideranças políticas mais antigas do estado durante entrevista especial ao Cuiabá Notícias.

 

A fala, marcada por reflexões históricas e críticas à atual gestão, do governador Mauro Mendes (União Brasil), chamou atenção para o cenário de concentração de renda e abandono de políticas estruturantes.

 

Ex-deputado constituinte e ex-secretário de governo em diversas gestões,  Lacerda lembrou a atuação política no processo de elaboração da Constituição de Mato Grosso, promulgada em 1989, um ano após a Constituição Federal.

 

“Nós começamos esse trabalho após 1964 e conseguimos consolidar em 1988 com a Constituição Federal e, depois, a Estadual. Tivemos participação ativa. Era um momento de projeto nacional. Hoje, esse projeto se perdeu”, afirmou.

 

José Lacerda destacou que, dos nomes que participaram do projeto político iniciado em 1964, poucos ainda atuam na política Sem citar nomes, ele fez uma crítica à falta de continuidade e de projeto político consistente dos principais partidos. 

 

“Então eu pergunto: qual é o projeto do MDB? Qual é o projeto do PT, do DEM, do União Brasil para Mato Grosso? Não tem. O que se vê são disputas de poder, não planejamento de longo prazo”, afirmou.

“Eu tenho conversado muito sobre isso, tem uns saído, outros prosseguindo, e outros entrando. Digo que precisamos montar um novo projeto de estado destinado para mais 30 anos. Porque Mato Grosso cresceu, mas crescemos numa condição que não é aceitável neste século”, 

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Apesar de reconhecer avanços econômicos principalmente da atual gestão, do governador Mauro Mendes (União Brasil), como o pagamento antecipado de salários e superávit em caixa, o ex-parlamentar destacou a contradição social.

 

“Nós somos o 5° maior produtor de alimentos do mundo e temos 150 mil famílias vivendo abaixo da linha da pobreza em um dos estados mais ricos do país? Alguma coisa está errada. É preciso rever esse modelo de crescimento”, pontua. 

Lacerda destacou o contraste entre o passado e o presente do estado. Ele lembrou que, há 30 anos, Mato Grosso enfrentava dificuldades energéticas severas.

 

“Naquela época, o estado vivia praticamente à margem do sistema energético nacional. Foi graças a um esforço diplomático e político que conseguimos importar energia da Bolívia. Aquilo foi essencial para o desenvolvimento inicial”, relembrou, citando negociações com o então presidente boliviano Victor Paz Estenssoro, ainda durante o governo de José Sarney.

Energia e Desenvolvimento

Segundo Lacerda, o cenário atual é bem diferente: “Hoje, Mato Grosso é exportador de energia. Isso mostra o quanto evoluímos. Mas, apesar do avanço, ainda falta visão de futuro.”

 

Ele apontou que o estado continua preso a um modelo de economia primária, voltado à exportação de matéria-prima bruta, sem agregar valor à produção local. 

 

“Levamos grão para fora e importamos produtos processados. Uma camisa feita com algodão mato-grossense é produzida lá fora e retorna como produto final. Ficamos com o custo ambiental e mão de obra mal remunerada. O desenvolvimento vai embora junto com a industrialização”, afirmou.

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Para ele, a ausência de uma estratégia intercontinental é um dos grandes entraves para o crescimento sustentável de Mato Grosso.

 

“Estamos no centro da América do Sul, mas continuamos com os olhos voltados só para o porto de Santos, em São Paulo. Falta pensar no Pacífico, em novas rotas de integração. O mundo mudou, mas nosso planejamento continua preso ao passado.”

Indústria e Logística

 

O ex-deputado também refutou o argumento de que a industrialização não avança no estado por dificuldades logísticas.

 

“Se é viável transportar produto bruto, também seria viável transportar produto industrializado. O que falta é interesse político e visão estratégica”, pontuou.

 

Segundo Lacerda, a logística deve ser vista como uma ferramenta de fortalecimento regional, e não apenas como um elo da cadeia de exportação. 

 

“Temos que parar de trabalhar para o lucro de fora. É preciso reverter isso e manter a riqueza aqui.”

Futuro e esperança

 

Por fim, Lacerda reforçou a necessidade de uma nova geração política que entenda o papel estratégico de Mato Grosso no cenário nacional e internacional.

“Temos território, produção, conhecimento técnico e capacidade. O que falta é comando político com visão estratégica, com coragem para romper com esse modelo de dependência e fazer do estado um polo de desenvolvimento real.”

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