A elefanta africana Kenya morreu nesta terça-feira (16), aos 44 anos, quatro dias após ser diagnosticada com problemas respiratórios e dores nas articulações. O óbito foi confirmado pelo Santuário de Elefantes Brasil (SEB), localizado em Chapada dos Guimarães, a 65 quilômetros de Cuiabá, onde o animal era cuidado.
Kenya foi a segunda elefanta a viver no santuário após passar grande parte da vida em isolamento. Ela percorreu mais de 2 mil quilômetros até chegar ao novo lar, em julho deste ano, em uma operação considerada histórica pela organização.
Em nota, o SEB lamentou a morte e relatou que Kenya enfrentava dificuldades para se deitar e descansar. Na última noite, porém, conseguiu finalmente se deitar, após vários dias sem conseguir fazê-lo. “Após vários dias sem demonstrar sinais de que estava se deitando, Kenya finalmente se deitou na noite passada. Ela pareceu se acomodar e sua respiração ficou mais fácil. Durante toda a noite, ela não se mexeu — nem mesmo movimentou as patas; estava claramente muito cansada”, informou o santuário.
A organização explicou que, nos dias que antecederam a morte, houve uma leve melhora no quadro respiratório com o início do tratamento. Kenya estava se alimentando bem, inclusive consumindo frutas misturadas aos medicamentos, e respondia positivamente às injeções de antibióticos.
Em uma mensagem emocionada, o SEB destacou o impacto deixado pela elefanta. “Ainda conseguimos imaginá-la fazendo seus pequenos ‘passos de dança’ e emitindo seus sons engraçados, sendo o espírito grande e belo que nos inspirou a chamá-la de ‘nossa dragão’. Há um vazio imenso no santuário — talvez um dos maiores que já sentimos. Kenya tocou milhares de corações simplesmente sendo quem era”, declarou a organização.
O comunicado relembra ainda a personalidade marcante do animal, descrita como maior do que o espaço ao seu redor, reunindo curiosidade, insegurança, alegria, afeto e uma forte paixão por explorar o ambiente.
Diagnóstico e tratamento
Na sexta-feira (12), Kenya apresentou sinais de melhora, com mais disposição, redução da ansiedade e respiração aparentemente mais estável. No entanto, no sábado (13), seu estado de saúde voltou a se agravar. “Suas tratadoras estão passando tempo ao lado dela sempre que parece querer um carinho extra”, informou o santuário.
Além dos problemas respiratórios, Kenya também passou a apresentar dores nas articulações no início da semana. O quadro começou com estalos leves na pata dianteira direita e evoluiu para sons mais intensos, indicando um comprometimento mais grave. Segundo o SEB, esse tipo de problema é comum em elefantes africanos que passaram décadas em cativeiro, devido ao desgaste causado por superfícies duras, resultando em danos articulares e osteoartrite — uma das principais causas de morte em elefantes cativos.
Mesmo com a idade avançada, os exames de sangue apresentaram resultados considerados bons. O tratamento incluía anti-inflamatórios, analgésicos, laserterapia e estava prevista a realização de sessões de acupuntura. A equipe também tentou administrar parte da medicação por meio de petiscos de gelo, além de oferecer água, gatorade e água de coco para manter a hidratação.
O santuário
O Santuário de Elefantes Brasil é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, dedicada ao resgate de elefantes mantidos em cativeiro e em situação de risco. O local oferece espaço e cuidados especializados para a recuperação física e emocional dos animais.
Localizado em Chapada dos Guimarães, o SEB conta com o apoio de duas importantes organizações internacionais: ElephantVoices e Global Sanctuary for Elephants.
Como acompanhar e ajudar
O santuário não é aberto à visitação, já que os elefantes vivem soltos e a proposta é garantir que não sejam tratados como atração, como ocorreu durante anos de cativeiro. No entanto, o público pode acompanhar o dia a dia dos animais por meio das redes sociais e do site oficial do SEB, onde são publicados relatos e vídeos gravados pelas equipes durante os cuidados.
Quem deseja contribuir com o trabalho pode participar da campanha “Adotar um Elefante”, destinando recursos para o cuidado contínuo das moradoras do santuário.





























