A proposta de integração entre o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros em Mato Grosso tem sido contestada por representantes da saúde, especialmente diante da redução na capacidade de atendimento do Samu. Segundo o Sindicato dos Servidores da Saúde (Sisma), o modelo atual não reflete uma atuação complementar e levanta dúvidas sobre sua eficiência.
De acordo com o presidente da entidade, Carlos Mesquita, seis das 12 ambulâncias do Samu estão fora de operação por falta de profissionais, o que compromete o funcionamento do serviço. “O Samu é um serviço 24 horas. Quando as ambulâncias não estão funcionando, você já fere uma das normas do SUS”, afirmou.
Para o sindicalista, a prioridade deveria ser a recomposição das equipes e a retomada plena das unidades. Ele defende que a integração entre os serviços só é viável quando o Samu está estruturado. “Nós não somos contra os bombeiros. Eles podem complementar o serviço. Mas o Samu precisa estar funcionando plenamente para que isso aconteça”, disse.
Mesquita também rebate o argumento de economia com a ampliação da atuação dos bombeiros no atendimento médico. “Há uma falácia com relação à economia”, afirmou. Segundo ele, os custos podem ser maiores para o Estado, já que os atendimentos realizados pelos bombeiros não são custeados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “O dinheiro do SUS só pode ser gasto com profissionais do SUS. O gasto com bombeiros não é ressarcido”, explicou.
Outro ponto destacado é a diferença estrutural entre os serviços. Enquanto as ambulâncias do Samu são fornecidas pelo Ministério da Saúde, veículos utilizados por outros órgãos podem envolver custos adicionais. Para o presidente do Sisma, isso reforça a necessidade de uma análise mais criteriosa sobre o modelo adotado.
O sindicato também alerta para possíveis consequências no financiamento federal caso as normas do SUS não sejam cumpridas. “Se o governo não tomar providências, pode haver suspensão dos repasses ou até devolução dos recursos já recebidos”, afirmou Mesquita. Hoje, os valores destinados ao serviço giram em torno de R$ 6 milhões e podem chegar a R$ 10 milhões até o fim do ano.


























