O circuito da Garganta do Diabo, no lado argentino das Cataratas do Iguaçu, será fechado por 40 dias a partir desta segunda-feira (3). A interdição foi adotada como medida preventiva diante do risco de elevação do nível do rio Iguaçu em decorrência da cheia registrada no Brasil.
Segundo o Parque Nacional do Iguaçu e a concessionária Iguazú Argentina S.A., o período de fechamento será utilizado para desmontar os pisos e parte da estrutura das passarelas, reduzindo o risco de danos causados pela força da água. As demais áreas de visitação do parque continuarão abertas e funcionando normalmente.
Previsões climáticas associadas ao El Niño indicam chuvas acima do normal e aumento do nível do rio Iguaçu nos próximos meses. Em comunicado, a Iguazú Argentina S.A. afirmou que a medida é preventiva. “Neste contexto de alta afluência turística, e em função das projeções meteorológicas associadas ao fenômeno El Niño, avançamos em medidas preventivas para resguardar a infraestrutura da área das Cataratas”.
A concessionária diz que a decisão foi baseada em análises técnicas e em monitoramento hidrológico na bacia do rio no Brasil.
“A decisão se sustenta nos prognósticos e análises técnicas que antecipam cheias do rio Iguaçu nos próximos meses. Nesse sentido, as empresas encarregadas do monitoramento climático e hidrológico do sistema fluvial na bacia do Brasil coincidiram em apontar que em setembro e outubro são previstos
volumes elevados, com potencial de gerar inundações extraordinárias que poderiam afetar a infraestrutura desse setor”, informou a empresa.
O Parque afirma que o restante das atrações segue funcionando durante o período de fechamento do circuito. Em comunicado, o superintendente do Parque Iguazú, José María Hervas, esclareceu que o local continua aberto com os demais atrativos.
Autoridades e concessionária afirmam que é a primeira vez que o parque fecha o circuito por tanto tempo de forma preventiva. A estratégia também muda o padrão adotado em cheias recentes, quando as equipes aguardavam a subida do rio para então recolher partes das estruturas.
O parque ainda carrega o impacto da grande cheia de outubro de 2023, quando parte das passarelas foi destruída. Na ocasião, o rio chegou a 24.000m³/s (metros cúbicos por segundo), mais de 20 vezes o volume habitual, e o circuito ficou fechado por nove meses para reconstrução, segundo o jornal argentino La Nacion.
A província argentina de Misiones é apontada como uma das áreas mais expostas aos efeitos do El Niño, com risco de cheias em rios da região. O La Nacion relata que o governo local montou um gabinete interinstitucional para preparar cidades ribeirinhas e acionar protocolos em caso de necessidade.




























