SUCESSO NOS PALCOS

Caio Blat destaca sintonia com a ex-esposa no teatro: “Nos amamos para sempre, e vamos trabalhar juntos para sempre”

O projeto é um sonho antigo do artista, que há 20 anos planejava trabalhar com os livros do autor russo

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O ator e diretor Caio Blat finalizou uma temporada de sucesso no Sesc Copacabana da adaptação de Os Irmãos Karamázov, obra de Dostoiévski, para o teatro, que trouxe uma versão ‘pop’ do clássico da literatura para os palcos. O projeto é um sonho antigo do artista, que há 20 anos planejava trabalhar com os livros do autor russo.

Além disso, a peça reúne algumas das pessoas mais importantes da vida pessoal e profissional de Caio. Na lista estão sua parceira na direção, Marina Vianna, e seu amigo de longa data, Babu Santana. Mas o destaque fica para sua ex-esposa, Luisa Arraes, que volta a trabalhar ao lado do ator após o fim de seu relacionamento em 2024.

Segundo o artista, a peça não existiria sem a atriz: “A Luisa é uma atriz brilhante. É maravilhoso vê-la em cena. Ela faz o protagonista, Dmitri, brilhantemente. Ela que é a idealizadora desse projeto, produtora artística. Sem ela não conseguiria fazer essa peça. O projeto é mais um fruto do nosso encontro amoroso e profissional”.

“Ficamos sete anos casados e fizemos muitos trabalhos juntos”, diz. “A gente se separou, mas continuamos extremamente afinados como parceiros. Nos amamos para sempre, e vamos trabalhar juntos para sempre”. Caio e Luisa, por exemplo, atuaram juntos por três anos na peça Grande Sertão: Veredas, de Bia Lessa

Caio comenta ter sido muito gostoso transformar seu relacionamento com Luisa através de sua parceria profissional. “Muito melhor do que você se afastar de uma pessoa com quem dividiu a vida é você continuar perto e ressignificar, reinventar a relação de vocês. Tivemos que reinventar a nossa trabalhando juntos todos os dias”, refletiu.

Caio compartilha também entusiasmo com o resultado da primeira temporada da peça. “Terminamos a última semana com pessoas na fila de espera do teatro, esperando por uma desistência para conseguirem um assento. Foi uma alegria ver as pessoas entusiasmadas para ver Karamázov, ou para me verem no teatro de novo”, contou. O objetivo agora é repetir esse sucesso em São Paulo, no Sesc Pompeia, casa da segunda temporada do espetáculo, que estreia no dia 27 de fevereiro.

Após 25 anos estampando seu rosto em novelas na televisão, Caio Blat passou por período de transição como artista. Com o fim de seu contrato televisivo, o ator viu a oportunidade de experimentar coisas novas e colocar em prática sonhos antigos.

“A transição foi muito importante. Eu devo muito a Rede Globo, pela popularidade e tudo que aprendi. Mas ao sair, eu tive que colocar meus próprios projetos na mesa e repensar o que eu, Caio, quero fazer. A saída da TV me obrigou a colocar todas as minhas cartas na mesa, mostrar tudo o que eu tinha em mãos para jogar”, diz o artista em conversa com a GQ Brasil.

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Da televisão para o streaming

Mesmo depois anos adaptado à televisão, Caio decidiu se aventurar no streaming ao integrar o elenco de Beleza Fatal, primeira novela brasileira da Max. A produção conta com 40 capítulos e, para o ator, muda a maneira de fazer os folhetins na era da internet.

“Eu fiz quase 30 projetos pensando no modelo de TV aberta: a novela passando enquanto ainda estávamos gravando ela, lidando com a reação do público e sua popularidade. De repente, o mundo se transformou e foi preciso se adequar a essa evolução digital. Temos uma geração inteira que nunca viu TV aberta”, ponderou o ator, que admitiu preferir o novo método.

“É um formato mais ligeiro, mais leve. Uma novela que tem 40 capítulos ao invés de 200 é muito mais dinâmica, mais coisas acontecem. A história não tem ‘barriga’ e repetições. O formato é ideal para falar com essa nova realidade”, continuou.

No entanto, para Caio, Beleza Fatal ainda mantém a tradição da televisão, mesmo com seu estilo totalmente moderno: “Ela tem cheiro de uma novela dos anos 1980/90, com abusos, exageros, tramas mirabolantes, vilãs explícitas. Tem um gostinho de novelas clássicas, mas em um modelo completamente contemporâneo”.

O artista também teve a chance de vivenciar o novo formato na prática, atuando como diretor em várias cenas ao lado da diretora-geral, Maria de Médice. Ele afirma que a experiência foi única em sua carreira, pois o tempo desempenhou um papel crucial para um resultado de alta qualidade.

“Eu tinha horas e horas para pensar em uma cena. Filmei como cinema mesmo. Ela tem 40 episódios, mas levamos o mesmo tempo de filmagem que uma novela de 200 capítulos. Foram sete meses produzindo, o tempo de cinema, para trazer uma qualidade muito grande”.

Na novela, Caio dá vida a Benjamin, parceiro da vilã Lola, interpretada por Camila Pitanga, e não poupa elogios à sua colega de cena. “Ela está brilhante! É um privilégio ser o parceiro da Lola. Acho que ela já é uma personagem icônica, que já entrou para o panteão das grandes vilãs de novela. O trabalho da Camila é inacreditável. Temos uma troca muito boa, e é um prazer levantar a bola para ela”, declarou.

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O teatro brasileiro nas telonas

No segundo semestre de 2025, Caio assumirá a direção da cinebiografia de Cacilda Becker, uma das pioneiras do teatro brasileiro. Ao lado de Yara de Novaes, o artista levará às telonas a história do teatro por meio da trajetória de uma de suas figuras mais emblemáticas – a ex-esposa Luisa Arraes também estará no elenco. Durante a conversa, ele compartilhou suas expectativas para o projeto

“É um filme totalmente filmado no teatro, contando sua história, mas que é tecnológico e moderno ao mesmo tempo. Inventamos uma narrativa contada através das personagens da Cacilda, fora de ordem cronológica. Cada vez que ela vira para o lado, ela se transforma em uma nova personagem. Me inspirei muito nesses filmes modernos de multiverso, além de em Anna Karenina [filme de 2012, dirigido por Joe Wright], em que os cenários se transformam diante da câmera”, detalhou.

Caio destaca a importância de Cacilda como meio de narrar a história do teatro brasileiro: “Ela foi a primeira atriz profissional do Brasil, que exigiu a ser contratada quando a profissão era totalmente amadora. Ela inventou o teatro do nosso país, e não existem registros. Poucas pessoas se lembram de ter visto a Cacilda em cena. Ela é um mito, apenas uma lembrança. Então temos o desafio de recriar esse mito, imaginar o que seria essa mulher em cena, vivendo loucamente todos os dias de sua vida no teatro”.

Débora Falabella foi a atriz escalada para a missão de interpretar Cacilda Becker no cinema, e Caio ressalta a semelhança entre as duas artistas – fator importante em sua escolha para o elenco. “A Débora é uma atriz espantosa, com uma potência absurda, em um corpo muito delicado, exatamente como a Cacilda. Ela era uma mulher que pesava menos de 50 quilos, mas que era uma gigante em cena, assim como a Débora”.

O projeto dos sonhos

Mesmo com a realização de vários sonhos no último ano, Caio ainda expressou que ainda tem um último desejo muito íntimo em seu coração. “Quero fazer um trabalho com meu primo, Ricardo Blat. Acho que ele é um dos maiores atores do Brasil, acho ele um gênio. Temos uma coisa muito parecida em cena, que é a vontade de chacoalhar. Nunca entramos em cena para deixar as coisas no mesmo nível, sempre queremos derrubar tudo. Falta na minha vida fazer um trabalho com ele”.

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