O assessor parlamentar João Paulo Lopes da Cruz, lotado no gabinete do vereador Ary Campos (PT), de Rondonópolis (a 220 km de Cuiabá), foi preso na manhã desta terça-feira (30) durante a quinta fase da Operação Eclipse. A ação investiga a atuação de uma facção criminosa com base em Água Boa e ramificações em outras cidades de Mato Grosso, incluindo Rondonópolis e Barra do Garças.
Equipes policiais cumpriram mandados de busca na residência do servidor ainda nas primeiras horas do dia. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre o envolvimento dele com o grupo investigado.
Por meio de nota, o vereador Ary Campos afirmou que desconhece atividades particulares de seus assessores. Segundo ele, João Paulo foi contratado dentro da legalidade, apresentando todos os documentos exigidos, incluindo certidões negativas e antecedentes criminais.
Essa não é a primeira vez que o parlamentar aparece vinculado a investigações policiais. Em setembro de 2024, Ary foi alvo da Operação Infiltrados, que apurava indícios de financiamento de sua campanha eleitoral por facção criminosa. Na ocasião, ele passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica. Além disso, teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral, mas segue no cargo porque a decisão ainda não foi confirmada em segunda instância pelo TRE-MT.
A Operação Eclipse
Nesta fase, foram expedidas 18 ordens judiciais pelo Núcleo de Inquéritos Policiais (NIPO) de Cuiabá. Entre elas, sete mandados de prisão preventiva, sete de busca e apreensão, além de bloqueios de contas bancárias e sequestro de bens.
As investigações, conduzidas pela Delegacia de Água Boa, apontam um elaborado esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas. O grupo movimentava recursos ilícitos por meio de comércios locais, utilizando, entre outros mecanismos, o chamado “Vale Crédito”.
Apresentado como serviço de empréstimo a comerciantes, o sistema funcionava de forma clandestina, com cobrança de juros abusivos e pulverização de valores em contas de terceiros para dificultar o rastreamento. A atividade, segundo a Polícia, era estruturada e contava com divisão de tarefas entre integrantes da facção, espalhados por diferentes cidades de Mato Grosso.


























